O pedido de readequação de uma estrada rural não seria novidade não fosse a iniciativa dos produtores em buscar informações sobre a conservação do serviço prestado pela prefeitura. Foi o que aconteceu no início da semana, no distrito de Paiquerê (zona sul de Londrina), como os agricultores instalados na Estrada Guaritá. Num trabalho conjunto de técnicos da Emater, secretarias Municipal e Estadual de Agricultura eles foram orientados sobre a responsabilidade de cada um na manutenção das estradas, das legislações que regem o serviço e ainda temas, como matas ciliares e reserva legal.
''A durabilidade das estradas depende de uma parceria do município com o produtor'', informa o chefe da Emater de Londrina, Paulo Mrtvi. A propriedade, segundo ele, tem que estar preparada para receber a água da chuva que cai na estrada. ''O volume d' água que vem da estrada é muito menor e não provoca danos na lavoura. O inverso, com certeza, significa estradas ruins e com muita erosão'', alerta.
Entre as medidas de conservação apontadas pelo técnico da Emater estão práticas já conhecidas pelos produtores, como as curvas de nível, adoção do sistema de plantio direto, uso da adubação verde e a rotação de culturas. Apesar do conhecimento, há produtores que para aproveitamento total da área fazem o arremate do quadro com plantio ''morro a baixo'', que favorece o escoamento da água e a erosão em sulcos. ''A curva de nível tem que chegar até a beira da estrada e com uma angulação que permita o recebimento da água da chuva'', alerta.
O sistema de plantio direto, continua Paulo Mrtvi, tem que ser feito em condições ideais de solo e com a orientação de técncos especialistas. ''É preciso avaliar as reais condições do solo e sua capacidade de uso, para se ter sucesso com o plantio direto'', orienta. Num período de estiagem a planta não tem desenvolvimento normal. O técnico alerta para a necessidade de acompanhamento e avaliações constantes do solo.
Na adequação de estradas rurais, segundo o agrônomo Osvaldo de Souza Campos Júnior, da Prefeitura de Londrina, é feito uma elevação da estrada em relação ao nível da propriedade. Quando há barrancos eles são quebrados e em alguns casos há a construção de caixas de retenção.
O técnico do departamento de fiscalização da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, Luiz Antônio Odenath Penha, informa que a legislação prevê notificação para os descasos com o solo. As fiscalizações ocorrem mais em casos de denúncia. ''Os produtores são notificados e têm 10 dias para apresentar um laudo ou 20 dias para um projeto de readequação'', informa. Pela legislação, ''o solo é patrimônio da nação'', completa. Penha informa ainda que, em casos de multa, o valor é determinado por hectare da área erodida.
O manejo adequado do solo permitiu ao produtor Adão de Pauli aumentar a produtividade da lavoura em quase 50%, além de conservar o trecho da estrada rural que corta a sua propriedade. Ele diz que adota o sistema desde 1985 e se sente satisfeito com o investimento. Para não perder área de plantio, o produtor criou um sistema próprio de construção. ''Afastamos a camada fértil da terra, levantamos as curvas com as camadas mais profundas e depois recolocamos o solo adubado''. O sistema fica mais caro e exige eficiência de mão-de-obra, mesmo assim ele garante que ''vale a pena''.

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