Estoque mundial será menor em 98
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de setembro de 1997
Cristina Côrtes 
EscassezA quantidade de mudas que estarão disponíveis para o próximo plantio não será suficientes para a demandaA colheita desta safra de café está praticamente terminada. No Paraná, 95% já foram colhidos e em Minas Gerais 90%. A mais recente estimativa de produção feita pela Associação Brasileira dos Exportadores de Café (Abecafé) mostra uma redução de 1,6 milhão de sacas, ou seja, uma queda de 6,7% eem relação à previsão inicial.
Para o engenheiro agrônomo do Departamento Nacional do Café (Denac), do Ministério da Indústria e Comércio, Francisco Barbosa, não houve uma redução de produção da safra brasileira, mas sim uma avaliação superestimada tanto da Abecafé quanto do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, que divulgou a previsão de 28 milhões de sacas para este ano.
Francisco Barbosa explica:Considerando a produção da safra passada, de 26,7 milhões e o ciclo bianual do café, já poderíamos esperar uma colheita menor este ano. De qualquer maneira, uma colheita menor aponta para um agravamento do quadro de déficit de produção no Brasil, e também dos estoques mundiais. Prevemos que em 98 os estoques mundiais serão os menores dos últimos 50 anos, em torno de 20 milhões de sacas, mas isto não garante que teremos preços altos, porque o mercado do café não é regulado apenas pela lei de oferta e procura, completa.
Francisco Barbosa informa que o Governo vai liberar seus estoques, para suprir as necessidades, sem interferir no mercado
Menor que a demandaA previsão do Ministério da Indústria e Comércio (MIC) é de que a produção deste ano deve ficar entre 21 e 22 milhões de sacas, uma produção insuficiente para atender a demanda de 12 milhões de sacas para consumo interno e l7 milhões para exportação, ou seja, um total de 29 milhões de sacas.
A estimativa do MIC foi feita com base no café que já está sendo recebido pelas cooperativas, em quantidades 30% menores do que no mesmo período do ano passado. Francisco Barbosa diz que, com essa produção, o Governo deve liberar seus estoques, que hoje estão perto de 12 milhões de sacas. Deste total, 8,4 milhões estão no Paraná.
As datas dos leilões já estão agendadas, mas ainda não estão definidas as quantidades do café que será comercializado. O Governo está cauteloso. Vai atender as necessidades, mas sem colocar à disposição muito produto que possa afetar o mercado, comenta.
A colheita termina no final deste mês e deve ficar entre 21 e 22 milhões de sacas
Atualmente a questões relacionadas ao café são debatidas e decididas pelo Conselho Deliberativo de Política Cafeeira, composto de doze membros, metade do Governo e os demais representantes de outros segmentos: produção, exportação, indústria de café solúvel e torrefação. As decisões são tomadas em conjunto para atender todos os interesses.
ParanáDe acordo com as previsões da Abecafé, uma das reduçãoes mais significativas será no Paraná. Os números iniciais previam 2,45 milhões de sacas de café arábica, mas a produção, segundo Barnosa, deve ficar em torno de 1,7 milhão de sacas. A produção deve aumentar somente no ano que vem, atingindo aproximadamente 2 milhões de sacas.
Para Francisco Barbosa, a produção paranaense só não aumenta mais, por falta de disponibilidade de mudas. Observamos que o produtor está bastante interessado em aumentar a área de suas lavouras, mas só teremos no máximo l00 milhões de mudas, o que vai representar um aumento de apenas 10 a 12 mil hectares.
Nesta semana começou a nova florada do cafezal, e a produção do ano que vem no Paraná deve chegar a 2 milhões de sacas
A falta de mudas é explicada pela escassez de sementes, e o despreparo de várias prefeituras que hoje são responsáveis pelos viveiros. Algumas áreas devem ser plantadas ainda este ano, mas o grosso mesmo do plantio ser feito nos meses de janeiro e fevereiro.
Na avaliação do agrônomo o cafeicultor paranaense deve levar em conta alguns fatores antes de fazer sua opção para a tecnologia de plantio adensado ou superadensado. No Paraná, temos algumas condições bem específicas que precisam ser consideradas: a possibilidade de geadas, chuvas durante a colheita e o problema com broca. Nestes casos, o superadensamento não seria a melhor alternativa. As plantas muito próximas criam condições de umidade e pouca luz que são favoráveis a broca.
O técnico compara os espaçamentos do superadensado com 1 m por 1,20 m, que comportaria 8,3 mil plantas e o adensado de 0,5 m por 2 m que daria l0 mil plantas. Além de um número de plantas até superior o adensado, com um espaço entre ruas maior, possibilita um manejo melhor, na hora da poda, do controle de pragas e doenças, além de uma colheita mais fácil.


