O setor sucroalcooleiro fechou seu balanço de exportações 2008 em US$ 493 milhões. Se comparado ao ano anterior, que é de US$ 485 milhões, isso representa um tímido crescimento 1,8%. Os dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) ratificam o momento difícil vivido pelos produtores de etanol por conta da atual conjuntura econômica. O cessar de pedidos da União Européia e o promissor consumo norte-americano - que não ocorreu - inundou o mercado interno de etanol e baixou os preços.
Para tentar amenizar os estragos, o governo federal cedeu à pressão das entidades e liberou R$ 2,5 bilhões para a construção de estruturas de estocagem que tendem a melhorar as condições de negociação dos usineiros. O baque negativo foi de 65,8% sobre a venda externa do álcool, se comparado aos US$ 120 milhões de fevereiro de 2008. Isso significa que os US$ 54 milhões negociados não corresponderam as expectativas de quem investiu alto, contudo as importações de açúcar cresceram 16,5% e segurou um estrago maior.
Por isso, toda essa verba será empregada na construção de armazéns para a estocagem do etanol nas usinas. Batizada de operação ''warrantagem'', termo que é algo como um abate dos empréstimos por meio de permuta entre produtores e governo, na prática vai trazer autonomia para os sucroalcooleiros no mercado. Atualmente, toda a produção é escoada de uma vez deixando o produtor à mercê de preços desvalorizados das épocas de ofertas abundantes.
Segundo Antônio de Pádua, diretor técnico da União Nacional dos Produtores de Açúcar e Álcool (Única), os distribuidores acabam se beneficiando por estas dificuldades, pois compram o álcool por R$ 0,80, em média, das mãos dos produtores e repassam por R$ 1,25 para os proprietários de postos de combustível onde são somados contribuições fiscais e gastos administrativos. Quando chegam até os tanques dos carros custam em média R$ 1,44. ''Até quando essa atividade vai ter apenas um lado ganhando?'', questiona.
''Queremos manter estoque nas unidades para evitar vendas no mesmo momento em que são processados'', defende Aloísio Tormena, presidente da Associação de Produtores de Bioenergia do Paraná (Alcopar). Isso vai possibilitar a manutenção de estoques de passagem para períodos de entressafra, quando os preços são maiores. Isso é importante para aumentar as possibilidades de ganho dos produtores de álcool que hoje trabalham para honrar compromissos como os financiamentos e os salários dos funcionários. ''Nosso lucro quase não existe'', queixa-se.
Em meio a toda essa turbulência, quem saiu ganhando foram as distribuidoras. Os providos de amplo espaço para estocagem compraram álcool barato de produtores desesperados e agora podem praticar vendas pulverizadas e lucrar no sobe e desce do mercado de cotações. ''Quem está na intermediação domina o poder de barganha. Ao dificultar a passagem do produto, pode administrar margens maiores. Por isso, o usuário de carros a álcool não viu um repasse maior no preço do posto de combustível. '', analisa uma fonte que pediu para não ser identificada.
Sobre a situação da ponta final da cadeia produtiva - o consumidor, Pádua acredita que é o grande beneficiado no padrão atual em que se encontra o setor. ''Ele paga muito barato e o produtor é o grande penalizado'', critica. Sobre as futuras oscilações de preço, é categórico ao afirmar que ''o mercado é livre e ele é quem define seu próprio rumo. O que não pode continuar é uma situação desfavorável para os usineiros'', defende.

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