Estimativa é de poucas mudanças para o grão
No dia 7 de maio o governo anunciou aumento de 5% no preço do trigo, que passou de R$ 477 por tonelada para R$ 501 por tonelada. No entanto, a economista da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Tânia Moreira, afirma que o atual preço mínimo ainda não cobre os custos de produção e, diante do atual cenário, as perspectivas para o trigo são de contínua redução de área e de produção. ''O produtor paranaense fica perdido diante da competitividade com os produtos importados, pois as medidas de apoio à comercialização são apenas assertivas para atender momentos de necessidade'', opina.
De acordo com o engenheiro agrônomo do Deral, Marcelo Garrido, em curto prazo, a tendência é de melhora nas cotações do cereal devido à redução de oferta. Ele ressalta a importância agronômica da cultura para proteção do solo e diminuição dos custos. Garrido avalia que o setor produtivo pode enfrentar dificuldade para cumprir as exigências da nova classificação e lembra que existe uma divergência entre a avaliação de qualidade feita pelos produtores e cooperativas e da feita pela indústria.
Segundo Garrido, apesar das medidas pontuais adotadas pelo governo para amenizar os problemas de comercialização, como Prêmio para o Escoamento do Produto (PEP) e Aquisição do Governo Federal (AGF), a forte concorrência com o trigo argentino e paraguaio inibe a produção nacional. ''A cadeia produtiva luta para melhorar a classificação de qualidade para aumentar o mercado consumidor dentro do País'', afirma. Para o agrônomo, governo, cooperativas, sindicatos, indústrias e órgãos de pesquisa devem trabalhar em conjunto para adotar uma política de grande alcance que solucione os impasses da triticultura no Estado.
Em maio, o Ministério da Agricultura e do Abastecimento (Mapa) anunciou a liberação de R$ 3 bilhões para o financiamento de custeio e comercialização das culturas de inverno. Desse total, R$ 1,5 bilhão será destinado para custeio e investimento e R$ 1,5 bilhão para comercialização. Dentro deste último, está o aporte de R$ 430 milhões para a comercialização do trigo por meio de empréstimo subsidiado. A intenção das medidas é auxiliar a comercialização do produto e possibilitar maior renda ao produtor.(M.F.)





