Cerca de 66% da área prevista, de 795.000 hectares, já foram plantados e o restante do plantio está atrasando por falta de umidade no solo. Além disso, as plantas que estão em em fase inicial de desenvolvimento também precisam de água para germinação e um bom perfilhamento.
Segundo Otmar Hubner, técnico do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura, a estiagem é maior na região Norte do Estado. ‘‘ Se persistir esse quadro, a situação se tornará preocupante’’, admite. Na avaliação do Deral, 23% da área plantada estão em germinação e 75% em desenvolvimento vegetativo. Apesar da pequena estiagem, Hubner destaca que a cultura está se desenvolvendo bem, sem ataque de pragas ou doenças, até agora.
Redução de áreaO técnico não descarta nova previsão de redução da área de trigo. Segundo ele, vários fatores estão contribuindo para o desestímulo ao produtor, inclusive a estiagem - se ela persistir até o final do mês. O fato é que a cultura de trigo é de alto risco e os produtores estão ficando desanimados, afirma o assessor técnico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Jorge Proença.
Segundo Proença, o trigo vai trazer retorno econômico apenas se o mercado remunerar em torno de R$200,00 a tonelada, como está sendo previsto para a cotação do grão no período de comercialização. Se ficar abaixo disso, o produtor terá prejuízo. O preço mínimo, de R$185,00 a tonelada, que corresponde a R$11,10 a saca, não remunera o desembolso que o produtor tem com o plantio, explica. Isso porque o custo de produção está calculado entre R$13,00 e R$13,50 a saca.
Além do desestímulo com o preço mínimo, o produtor está enfrentando dificuldade no crédito rural para financiar o custeio. O Banco do Brasil alega que uma parte dos recursos para financiar o trigo migrou para o plantio do milho safrinha. Dos R$100 milhões previstos para serem aplicados no trigo este ano, pelo menos R$35 milhões devem ser aplicados no custeio do milho safrinha, informou Josemar Horst, gerente de Crédito Rural da Superintendência do Banco do Brasil no Paraná. Até o mês de abril, apenas R$15 milhões haviam sido liberados para a cultura. A partir de maio, a Superintendência do BB não tinha o controle, porque as próprias agências passaram a controlar o orçamento, passando a contabilidade final depois de encerrado o mês, explicou.
A escassez de recursos para o trigo é atribuída também à inadimplência do produtor com o financiamento da safra anterior. Enquanto o produtor não pagar a conta da safra passada, não terá dinheiro novo, avisa Horst.
Seguro CosespMas nem tudo é prejuízo com a cultura do trigo, principalmente para as lavouras da região Norte do Estado, onde a qualidade do grão é comparável ao trigo canadense e por isso é muito procurado pelos moinhos. Isso porque a Cosesp (Companhia de Seguros do Estado de São Paulo) lançou uma linha de seguro agrícola para o trigo que cobre todos os danos, de origem climática e biológica.
Segundo Proença, a taxa do seguro para o trigo de sequeiro é de 12%, bem acima do Proagro, que é de 5% para o plantio normal e 4% para quem faz plantio direto. ‘‘Mas compensa’’, salienta. Proença destaca que o risco do trigo ainda é muito grande e por isso a taxa do seguro é alta, mas é uma garantia. Para se ter uma idéia, na região Sul de São Paulo, onde se planta trigo, a taxa da Cosesp é de 15% porque lá o risco é maior ainda. Com o Proagro, se ocorrer frustração de safra com chuvas na colheita, como vem ocorrendo nas últimas três safras do Paraná, o produtor fica no prejuízo.

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