A baixa umidade do solo no final de outubro e início de novembro atrasou o plantio da soja em algumas regiões do Paraná, mas as chuvas ocorridas na semana passada permitiram que grande parte dos produtores recuperassem o tempo perdido. Até segunda-feira, 58% das lavouras paranaenses tinham sido semeadas. No Estado, a área plantada com o grão na safra 2001/2002 deve atingir três milhões de hectares, superando em 12% a área plantada na safra anterior. As informações são do Departamento de Economia Rural (Deral) da secretaria estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab).
Em condições normais de clima, a produção poderá chegar a nove milhões de toneladas, número 5% superior ao da última temporada. A tendência de aumento no plantio da cultura é justificada pelas condições favoráveis de comercialização.
Londrina
Na região de Londrina, onde as chuvas foram bastante irregulares, os sojicultores estão enfrentando problemas. Segundo o engenheiro agrônomo Júlio Alberto Gonçalves dos Santos, da cooperativa Valcoop, o plantio está bem atrasado com relação ao ano passado.
Na área de ação da cooperativa, que abrange 150 mil hectares (ha) de soja, apenas 30% da área prevista foi semeada. ''No ano passado, nessa mesma época, 70% da área já havia sido plantada'', comentou. Os produtores que aproveitaram as últimas chuvas para iniciar o cultivo também correm riscos de perder o trabalho. ''As precipitações não foram constantes na região. É possível que haja necessidade de fazer replantio'', avaliou. Se continuar faltando chuva e o atraso da safra se prolongar, Santos também acredita que haverá atraso no plantio do milho safrinha no ano que vem.
Outro problema que ameaça a cultura de soja em Londrina é a falta de sementes. Segundo o técnico, pode faltar o produto se houver necessidade de replantio. Nesse caso, muitos produtores acabarão optando por cultivares menos adaptadas para a região. ''Isso prejudica a produtividade'', alertou. Diante dessa conjuntura, ele orienta que ''o agricultor não pode errar. A recomendação é plantar em condições adequadas de umidade, para evitar mais prejuízos.''
Maringá
Na região de Maringá, o curto período seco paralisou o plantio mas não chegou a prejudicar as lavouras, de acordo com o engenheiro agrônomo Dorival Aparecido Basta, do Deral do município. Oitenta por cento da área prevista de 215 mil ha já foi semeada. ''O clima seco pode ter atrasado a germinação em algumas áreas,'', analisou, lembrando que o plantio foi retomado após as últimas precipitações.
Com relação ao ano passado, o Deral estima que haja aumento de 5% nas lavouras de soja da região. ''Além do preço estar bom, as cooperativas estão estimulando o plantio do grão na região do arenito, onde a terra é mais barata. O objetivo é tentar recuperar as áreas degradadas pelas pastagens'', disse o engenheiro agrônomo.
Cascavel e Campo Mourão
Na região Oeste, próxima à Cascavel, a estiagem de 20 dias atrasou o plantio mas também não causou prejuízos significativos às lavouras. O engenheiro agrônomo Paulo Ceriotti, da Coopavel, informou que 30% da lavoura havia sido plantada quando cessaram as chuvas. ''Apenas casos isolados enfrentarão problemas'', ressaltou. O agrônomo acredita que a chuva do último final-de-semana possibilitou o restante do plantio. ''Se a estiagem se prolongasse e houvesse necessidade de fazer nova semeadura nas áreas já plantadas, haveria falta de sementes'', lembrou.
Nas proximidades de Campo Mourão, 85% da área de ação da Coamo, que soma 800 mil ha de soja, já foi plantada. ''Ficamos apreensivos com as chuvas irregulares, mas as precipitações do final de semana amenizaram o problema'', comentou Nei Cesconetto, gerente de assistência técnica da cooperativa.
Mato Grosso
O Estado do Mato Grosso, que é o maior produtor de soja brasileiro, enfrentou estiagem apenas na região Norte, onde 50% da área já havia sido plantada. De acordo com Paulo Afonso Watanabe, coordenador de sementes da Fundação Mato Grosso, 5% das lavouras semeadas foram prejudicadas. No Sul, onde o plantio aconteceu em 30% da àrea, não faltou chuva.
Watanabe informou que o Estado é auto-suficente na produção de sementes, por isso não houve falta de cultivares. ''Deu no limite. Se precisar replantar, vamos enfrentar escassez'', analisou. O cultivo da soja deve atingir quatro milhões de ha no Mato Grosso. Segundo o técnico, esse número é um pouco maior que o da última safra. O crescimento se justifica pela diminuição das lavouras de algodão e a abertura de novas áreas. A estimativa é atingir uma produtividade de 3,1 mil quilos de soja por ha. ''Mas vai depender dos fatores climáticos.''
Milho
O milho cedeu áreas para o plantio de soja no Paraná. Em todo o Estado, 89% das áreas foi semeada. Na região de Maringá, a cultura caiu de 27 mil ha para 16 mil. De acordo com Dorival Basta, do Deral, 95% das lavouras foi plantada nos arredores do município. ''Enfrentamos poucos períodos de chuva durante o plantio, por isso não houve prejuízos. Em Londrina, na região de ação da Valcoop, a área caiu de 28 mil ha para 14 mil ha.
Paulo Ceriotti, da Coopavel, informou que 95% dos 68 mil ha da área de ação da cooperativa já foram semeados. A exemplo da soja, a pequena estiagem não prejudicou a lavoura. A situação se repetiu em Campo Mourão, onde 100% da área de ação da Coamo cultivada com milho mecanizado foi plantada. De acordo com Nei Cesconetto, houve uma pequena diminuição nas lavouras porque os produtores se desanimaram com os baixos preços do produto.

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