Vânia Casado
De Curitiba
A estiagem que ocorre no Paraná há mais de 50 dias está atrasando o plantio da safra de verão 1999/2000. A expectativa de plantar até três safras por ano, por parte dos produtores mais tecnificados, pode ser frustrada. É o caso dos produtores do Sudoeste que plantam o feijão das águas em julho, depois plantam a soja em novembro e em seguida plantam o trigo no inverno. Também os produtores mais tecnificados estão optando em plantar a soja precoce no período normal de safra de verão e depois plantam o milho safrinha mais cedo, para que a cultura escape dos efeitos climáticos mais drásticos durante o inverno como geadas e estiagem.
Mas nada disso está ocorrendo. O quadro de estiagem no Estado é muito grave e os produtores estão preocupados. De acordo com levantamento realizado pelo Departamento de Economia Rural, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Deral), até agora, somente as regiões de Francisco Beltrão e Pato Branco conseguiram efetivar os plantio de milho, o que corresponde a 0,5% da área total prevista com a cultura nessa safra, que deve atingir 1.620.000 hectares.
AtrasoNo ano passado, nessa mesma época, 17% da área já havia sido plantada. Segundo a técnica do Deral, engenheira agrônoma Vera Zardo, se o plantio estivesse em ritmo normal, os produtores poderiam usufruir de preços melhores durante a comercialização. Isso porque o plantio precoce permite a colheita em fevereiro, período que a oferta ainda está bastante ajustada ao consumo e os preços permanecem em alta. A expectativa de produção se mantém em 6,2 milhões de toneladas, que correspondem a um acréscimo em torno de 5% sobre a produção passada, de 5,85 milhões de toneladas.
O plantio de feijão das águas também deveria estar avançado. Além da estiagem, as lavouras precoces instaladas na região Sudoeste sofreram os efeitos das geadas ocorridas em meados do mês passado. Até a ocorrência das geadas, haviam sido plantados 27.600 hectares com feijão, sendo que a queda drástica de temperatura provocou a perda de 17.208 hectares. As regiões mais prejudicadas foram Francisco Beltrão, com a perda de 7.000 hectares plantados, Ivaiporã perdeu 3.500 hectares, Cascavel perdeu 2.568 hectares, Umuarama perdeu 2.000 hectares, Ponta Grossa perdeu 1.000 hectares e Guaruapuava, 1040 hectares plantados.
PrejuízoO Deral está estimando um prejuízo de R$ 970 mil com o desembolso do produtor com as sementes, e preparo do solo. Vera Zardo disse que se o produtor não conseguir replantar a cultura perdida, os prejuízos aumentam porque ele terá que fazer nova adubação para o plantio de soja. O replantio está sendo dificultado pela falta de chuvas, que provoca escassez de umidade no solo, fato que impede a germinação das sementes. Estima-se que 8% da área já foi plantada, enquanto no ano passado, nessa mesma época, o plantio atingia 16% da área prevista.
Em função das dificuldades de replantio do feijão, o Deral mantém a estimativa de redução na área plantada de 9,16%. No ano passado a cultura ocupou 506.400 hectares e esse ano, deverá ocupar 460.000 hectares. Com a expectativa de alta nas cotações do feijão carioca, o produtor até poderia rever sua decisão e aumentar a área plantada, admite Vera Zardo. ‘‘ Mas com as dificuldades impostas pelo clima, não dá para arriscar que a área vai aumentar’’, explicou.
O Deral mantém a expectativa de redução de 2% no plantio da soja, que deverá cair de 2,77 milhões de hectares na safra passada, para 2,71 milhões de hectares na próxima safra. A técnica do Deral não acredita em alterações significativas na previsão, ‘‘ a menos que ocorra uma quebra significativa na produção de soja norte-americana’’, observou. A previsão de produção no Paraná é de 7,35 milhões de toneladas. No plantio de algodão, o Deral confirma o aumento de 14% na área plantada que deve passar de 48.000 hectares para 55.000 hectares.

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