Estiagem dos meses de agosto e setembro vão atrasar a entrada de feijão novo no mercado. A ''safra das águas'', considerada a melhor das três safras cultivadas anualmente no Paraná atingiu até agora 87% do plantio previsto.
O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado do Paraná (Seab), prevê uma pequena redução de 5,7% na área. ''O Estado terá 384,7 mil hectares cultivados com feijão'', informa o técnico Richardson de Souza.
Apesar do feijão ser uma cultura típica de pequenas propriedades, o Paraná é o maior produtor nacional, responsável por 21% da produção. A concentração de cultura ocorre especialmente na região Centro-Sul (Ponta Grossa e Guarapuava).
A estimativa de colheita dessa safra, de acordo com Souza, é de 510,2 mil toneladas. ''Teremos um crescimento de 2,6% em relação ao ano passado, graças à tecnologia e influências climáticas''. Mesmo assim, o técnico diz que a estiagem deve ter afetado o desenvolvimento de lavouras já implantadas, mas o Deral ainda não identificou prejuízos.
Souza destaca que as políticas de crédito agrícola para os pequenos produtores, como o Pronafinho, estão lhes permitindo o acesso a uma melhor tecnologia.
Quanto à rentabilidade, o técnico do Deral diz que os preços atuais pagos ao produtor (R$ 53,00 a saca do feijão carioca e R$ 59,00 o feijão preto), estão ''em patamares bons e remuneradores para quem usa tecnologia e produção''.
Os supermercadistas também consideram bons os preços do feijão e informarm que os valores estão estacionados há pelo menos três meses. Nas gôndolas de supermercados o consumidor vai pagar de R$ 1,50 a R$ 1,80 o quilo.
''Considerando a variação de preços de outras mercadorias, o feijão está mantendo o mesmo valor do ano passado'', calcula um empresário do ramo que preferiu não se identificar.
Tanto o técnico quanto os supermercadistas apontam a redução no consumo do grão como um dos fatores da estabilidade de mercado. ''Desde 1999 não tem alteração no consumo anual que é de 3 milhões de toneladas'', garante Souza.

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