O rebanho brasileiro tem hoje cerca de 164 milhões de cabeças, sendo que 80% é de gado zebu, usados para produção de carne ou melhoramento genético. São 131 milhões de animais.
  Desse total, 30% ou 39 milhões de cabeças seriam fêmeas em reprodução. Das fêmeas do rebanho em idade reprodutiva apenas 4%, em média, são inseminadas, e sobram, então, 34 milhões para a monta natural a campo. Os dados são da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), em Uberaba (MG).
  A vida reprodutiva de uma fêmea se inicia por volta dos três anos de idade e dura, em média, 10 a 12 anos. Isso indica, segundo Luiz Antônio Josakian, técnico da ABCZ, que deveriam existir 1,5 milhão de touros em uso no País somente no universo dos zebuínos, foram o uso de reprodutores no gado europeu, onde a procura maior é para animais em coleta de sêmen a ser usado na inseminação das vacas.
  Do rebanho total de gado de corte, de acordo com o técnico da ABCZ, a demanda anual seria, então, de 300 mil novos tourinhos/ano, ‘‘mas se atende apenas 33% da procura, considerando no gado zebu o número de animais nascidos e registrados na associação. Nem sempre 100% dos animais nascidos, durante o desenvolvimento, vão se demonstrar como bons reprodutores’’, avalia.
  Para suprir a demanda de 300 mil tourinhos/ano teria que haver, pelo menos 600 nascimentos/ano (considera-se que metade nasce macho e metade fêmea), para uma seleção de 20% desses animais do nascimento até a entrada na vida reprodutiva. Alguns técnicos falam de um aproveitamento de apenas 10% no nascimento de machos que serão futuros reprodutores, daí a necessidade de ampliar os programas de melhoramento e controle dos animais; primeiro das fêmeas e a seguir os bezerros.
  Para ter 600 nascimentos seria necessário ter, mais ou menos, 3 milhões e 800 mil vacas, para selecionar 300 mil tourinhos, com aproveitamento de 20% na seleção. Um rebanho de fêmeas de mais de 3 milhões de vacas teria que ter índice de fertilidade de 80% e a média hoje fica ao redor de 65%.
  Um touro inicia a vida reprodutiva também por volta dos três anos e pode ser usado até 10 anos, o que Josakian desaconselha. Para ele o ideal é usar um touro por, no máximo, quatro anos, para que haja uma renovação sanguínea no rebanho.
  Segundo Josakian, na realidade não se pode falar de falta de touros, mas sim, da falta de bons touros para serem usados na monta natural. Os tourinhos não são renovados, se usa animais velhos e muitos dos que são substituídos dão lugar a touros chamados ‘‘ponta de boiada’’, animais que não têm qualidade superior para bons acasalamentos.
  Josakian acredita que a produção de bons touros ainda tem muito espaço para crescer no País. Ele aconselha que na compra de reprodutores o pecuarista procurar adquirir animais com certificado de origem e bons resultados em produtividade nos filhos. ‘‘As associações desenvolvem bons trabalhos de controle de fêmeas e machos.’’
  A pecuária vai ficar sem touro? O pesquisador da Embrapa Antônio Rosa acredita que o mais importante agora não é quantidade e sim qualidade.‘‘ A oferta de animais superiores é pequena. Na melhor das hipóteses temos um déficit 20 mil touros/ano, considerarando apenas uso de touros positivos.’’
  Mas, segundo Antônio Rosa, as associações de raças estão atentas ao problema.
Só para o gado nelore, por exemplo, esse ano, foram analisados 1 milhão e 200 mil animais para chegar a um sumário de 200 mil touros, que indica reprodutores de qualidade para serem utilizados. ‘‘As centrais de inseminação também estão atentas e as instituições de pesquisa têm colaborado na avaliação de raças.’’
  O mercado sinaliza para a questão da qualidade, do valor agregado, da implantação de programas de avaliação genética, afirma o pesquisador. Segundo ele, a maior iniciativa que deve partir dos produtores de animais puros para atender a grande demanda. ‘‘O criador de animais para reprodução deveria abrir o olho porque tem um mercado enorme a atender.’’

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