O custo de produção da safra de inverno e o planejamento da safra de verão estão tendo um ''gosto amargo'' para o produtor. Apesar da contínua queda do dólar, que esta semana desceu a casa dos R$ 2,00 - na quinta-feira a cotação era de R$ 1,95 - alguns insumos, desde o mês de março, têm registrado altas de até 40%, como é o caso dos fertilizantes.
A razão da alta, segundo o economista Jefrey Kleine Albers, da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), em Curitiba, deve-se ao reajuste em dólar, no preço da matéria-prima. Só que os índices foram agravados por alguns eventos, entre eles climáticos, registrados em minas de extração desses produtos na Rússia, Alemanha e no Canadá. Associado a isso, houve ainda reajustes nas tarifas de importação, que refletiram nas taxas de frete praticadas aqui no Brasil. ''Teve também o oportunismo das indústrias, que aproveitaram o anúncio de uma boa safra e de melhoras nos ganhos dos produtores'', comenta.
O reajuste em ''ingredientes'', como o nitrogênio e cloreto de potássio, estourou no bolso do produtor em abril. ''Produtos finais, a exemplo do formulado 0-20-20 composto por nitrogênio, fósforo e potássio, que em fevereiro de 2007 custava entre R$ 550 e R$ 580 a tonelada, está sendo comercializado a R$ 770/800 t, registrando aumentos de até 38%'', compara o economista da Faep.
Ainda segundo Jefrey, a uréia, que em agosto do ano passado era comercializada a R$ 816,00 ton., hoje tem seu preço majorado em 12%, sendo vendida a R$ 915,00. ''Como no caso da soja, os fertilizantes representam aproximadamente 10% dos custos operacionais e no milho esta participação relativa sobe para 20% , o impacto do aumento destes insumos pode elevar os custos de produção em até 10%'', calcula.
Seisuke Ito, gerente do departamento técnico e de insumos da Cooperativa Integrada, em Londrina, cita também aumento na demanda desses produtos, estimulados pelas boas condições climáticas e a valorização nos preços internacionais das principais commodities. ''As indústrias não estavam preparadas para isso, houve falta de produtos, e com isso o aumento nos preços.''
Ito acredita na tendência de acomodação desses reajustes para a safra de verão, especialmente, pelo fato das lavouras americanas já estarem praticamente plantadas. Jefrey Albers, da Faep, concorda com o gerente da Integrada e acredita até mesmo numa leve redução dos preços. ''Quando houve o estouro algumas cooperativas deixaram de comprar insumos'', afirma.
Mas a regra, para os dois técnicos, é a da cautela. ''A desvalorização da moeda americana não chega aos mesmos patamares nos produtos finais'', alerta Jefrey. Ito destaca que não há razão para desesperos, mas recomenda não tirar os olhos da planilha de custos. ''É preciso equilíbrio entre o que se pretende gastar e o que realmente se pode lucrar. Para isso, nem pensar em superfluos e não abrir mão da orientação da assitência técnica, só assim a produção piderá ser técnicamente correta e economicamente sustentável.''
Jefrey destaca os bons ventos que sopram na rentabilidade do produtor, mas só acredita em sobras nos ganhos para daqui a cinco anos, desde que se mantenham as boas condições tanto climáticas quanto de mercado. ''As dívidas acumuladas nas últimas safras estão sendo quitadas aos poucos, pois além de pagar contas o produtor precisa de reservas para sobreviver'', conclui.

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