'Estamos pagando para produzir'
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sexta-feira, 14 de março de 2008
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
A estabilização dos preços do arroz no mercado tem deixado muito produtor desanimado. A culpa, segundo eles, é do governo Lula que insiste em manter baixos os preços dos produtos da cesta básica, quando o mesmo não acontece com o valor dos insumos que teve alterações significativas, elevando o custo de produção. ''Estamos pagando para produzir'', reclama o produtor Walter Barbieri, de Santa Isabel do Ivaí.
Na atividade há 33 anos, Barbieri reclama que desde 2004 trabalha no vermelho. Ele cultiva 600 hectares (ha) de arroz irrigado, e calcula um custo de produção de R$ 26 por saca. Os preços pagos ao produtor, até fevereiro, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura, ficaram em R$ 32 para o arroz irrigado e R$ 29 o de sequeiro (sacas de 60 quilos). O início da colheita no Rio Grande do Sul este mês derrubou os preços do grão. ''Estamos pagando entre R$ 22 e R$ 24/sc de arroz novo com melhor padrão de panela'', diz o cerealista David Ramos de Menezes, de Apucarana. Naquele estado, o peso padrão do saco de arroz é 50 quilos.
Outro agravante, na opinião dos rizicultores, é o favorecimento do governo brasileiro para o produto vindo dos países do Mercosul, que chega aqui até 10% mais barato. ''O custo de produção na Argentina é bem mais baixo que o nosso e o arroz entra aqui praticamente sem impostos. É uma concorrência bastante desleal'', diz o produtor Evildo Tamanini, que cultiva pouco mais de 240 hectares, numa área arrendada. No mês passado, o irmão dele, Joacir Tamanini, teve que esperar por dois dias na fila de descarga de um empresa beneficiadora, em Umuarama, que priorizava o descarregamento dos caminhões vindos da Argentina. ''Tinha mais de 40 bitrens sendo descarregados'', lembra.
Como comparação ele cita a diferença nos preços do principal inseticida utilizado na cultura. ''Aqui estamos pagando R$ 760 pelo litro do veneno. Lá, se paga R$ 300. Há quem nos ofereça o produto posto aqui, por R$ 400'', diz ele, que garante não utilizar produtos contrabandeados. ''Se a fiscalização nos pega, aí sim a coisa fica preta''.
O cerealista Davi Menezes concorda com as reclamações dos produtores. ''O governo tem um bom volume de arroz no estoque regulador e com isso consegue forçar o preço para baixo. ''O ideal seria que o governo ao menos mantivesse o preço mínimo (em torno de R$ 25/sc), mas nem isso ocorre'', lamenta.


