Estamos pagando as dívidas da soja com tomates
Há dois anos, os irmãos André e Ademir de Bodas, cansados de acumular dívidas em bancos, trocaram a lavoura branca (produção de grãos) pela produção de tomates. Com a ajuda da mãe, Célia de Bodas, e um grupo de porcenteiros, tocam 16 estufas de tomates com 2,2 mil metros quadrados.
Estamos pagando as dívidas da soja com tomates, afirma André sem esconder a satisfação com a nova atividade. Para obter o mesmo retorno que a família tem com a fruta na propriedade de quase cinco alqueires seriam necessários 100 alqueires da oleaginosa. Com os cálculos praticamente prontos na cabeça ele emenda dizendo que o investimento também é bem menor. Para a soja precisaria de no mínimo dois tratores, plantadeiras e colheitadeiras. Com o tomate nos bastam 10 costais (pulverizadores) e enxadas.
Cuidando da colheita em duas estufas, Dona Célia comemorava o fechamento da carga com um comprador da região pelo valor de R$ 45 por caixa. O filho André continua a conversa explicando que o gasto mais elevado é o da estufa entre R$ 10 mil a R$ 12 mil, mas que não ocorre todos os anos. O custo de produção por safra (a cultura permite duas colheitas anuais) varia de R$ 4 mil a R$ 5 mil, além do custo do porcenteiro que fica com 25% a 30% do lucro.
André destaca que, diferente da soja, no tomate é possível controlar a água, o que diminui os riscos com intempéries climáticas. Só não dá para controlar o vento, diz ele, referindo-se a algumas estufas que estavam sendo montadas e tiveram as coberturas arrancadas pela tempestade há algumas semanas. Como o objeto de comparação é a soja, André foi questionado sobre a trabalho e a atenção exigidos pelos tomateiros: Cansar cansa, mas fico cansado contente pois tenho retorno do meu trabalho.
O produtor não teme a queda nos bons preços do tomate. Até R$ 10 por caixa, com as estufas pagas, o tomate não dá prejuízo. Em mais uma safra e meia zeramos nossas dívidas, comemora. A tranquilidade é mantida também em relação ao crescimento no número de pessoas que estão investindo na produção de tomates em cultivo protegido. É preciso muito tomate para suprirmos a demanda do País, diz ele, citando que a produção do Estado corresponderia a 4% do mercado nacional.
A dependência de mão de obra também não é vista como dificuldade pela família de Bodas. Os bons resultados da atividade, segundo André, têm trazido funcionários do comércio para as estufas. As lojas talvez tenham mais do que reclamar, diverte-se, completando que o giro de capital tem deixado o comércio bem satisfeito. (C.G.)





