A semeadura do trigo está um pouco atrasada no Estado. Até o início da semana, apenas 30% da área prevista para receber o cereal estava plantada, contra 37% se comparado ao mesmo período do ano passado. Segundo Hugo Godinho, engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o atraso se deve à estiagem que prorrogou a semeadura da soja no ano passado.
Mas Godinho acredita que ainda neste mês os produtores paranaenses conseguirão tirar o atraso, já que o clima tem contribuído para o plantio, "apesar que abril não foi um período muito chuvoso", acrescenta. Mesmo com uma redução de 2% em área de plantio, a expectativa é de um novo recorde de produção no Estado.
Para esta safra é estimada a colheita de 4,07 milhões de toneladas do cereal, ante 3,79 milhões de toneladas produzidas no ciclo 2013/14. Em área, a estimativa de semeadura do atual período é de 1,36 milhão de hectares, contra 1,39 milhão de hectares plantados na safra anterior. "Neste ano poderemos superar o recorde de produção da safra anterior", comemora Godinho.
Os produtores do Norte do Estado devem aumentar a área plantada de trigo, já que a região foi a mais prejudicada com o atraso da colheita da soja, o que inviabilizou o plantio do milho segunda safra devido ao prazo de zoneamento. Triticultores da região devem semear no atual ciclo 528 mil hectares, contra 489 mil hectares plantados com o cereal na safra 2013/14.
Por outro lado, produtores da região Sul do Paraná não estão tão animados neste ano. A região deve semear 388 mil hectares com o trigo, 5% a menos no comparativo com a safra passada. Godinho explica que os baixos preços pagos pelo cereal desestimularam os triticultores das regiões mais frias e que não tiveram tanto problema com atraso na safra verão. O preço pago pela saca de trigo no Paraná em abril, por exemplo, fechou em R$ 34,37, contra R$ 31,21 em março e R$ 42,58 em abril de 2014.
Com a entrada da safra, Godinho explica que os preços tendem a reduzir ainda mais nos próximos meses. O valor recebido pelos produtores ainda cobrem os custos variados de produção. Em fevereiro, o custo variável do trigo convencional fechou em R$ 37,40/saca, contra R$ 37,34/saca no mesmo período do ano passado.
Por enquanto, afirma Godinho, a comercialização do atual ciclo ainda é muito pequena, quase inexpressiva. Ainda mais porque há trigo do ciclo anterior para ser comercializado. Cerca de 90% da safra 2013/14 já foi negociada.

Brasil
A área destinada para o cultivo do cereal em todo o País, segundo dados da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), deve ser a mesma se comparada à da safra anterior, que foi de 2,76 milhões de hectares. Em produção, a estimativa da Conab é de que saiam das lavouras 5,97 milhões de toneladas, volume também semelhante ao contabilizado na safra passada. Mesmo com o bom desenvolvimento das lavouras e avanços genéticos, o Brasil ainda importa 50% do trigo tipo pão. (R.M.)

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