Estado investe na safra 97-98
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sexta-feira, 08 de agosto de 1997
Vânia Casado Curitiba 
Na falta do programa Paraná 12 Meses (cuja liberação de recursos foi bloqueada pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado) que, segundo a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), iria financiar um amplo programa de infra-estrutura no campo, o Governo estadual decidiu concentrar investimentos em programas de alcance social que gerem emprego e aumentem a renda da pequena propriedade.
Este ano, deverão ser aplicados R$ 42 milhões no incentivo ao plantio do café adensado; no resgate da cotonicultura, no incentivo ao uso de semente fiscalizada de milho, no fomento ao cultivo de erva-mate na região Centro-Sul e Sul do Estado e no aumento da produtividade dos solos, através da distribuição de calcário.
AlgodãoO campeão de investimentos será o programa de resgate da cultura do algodão, que repassará R$ 26 milhões a fundo perdido, para financiar a compra de semente, o preparo e a correção do solo, com aplicação de calcário. Para garantir ao produtor todos os investimentos necessários em tecnologia, a Seab conseguiu o apoio do Banestado, que colocou uma linha de crédito, no valor de R$ 20 milhões, especificamente para atender o programa, e o Banco do Brasil complementa com outra linha no valor de R$ 40 milhões.
Com os recursos do Tesouro do Estado, a Seab pretende atender 35 mil produtores através do repasse a fundo perdido de R$ 106,16 por hectare até o limite de seis hectares por produtor. Para complementar os investimentos necessários, os produtores poderão recorrer aos investimentos do Banestado e Banco do Brasil, que serão repassados conforme as regras do Pronaf, com juros de 6,5% ao ano.
A expectativa dos técnicos da Secretaria é que os incentivos resultem na criação de cerca de 150 mil empregos e que o Estado plante já nessa safra 250 mil hectares de algodão, ou quase quatro vezes mais o plantio do ano passado, quando a cultura ocupou 59.700 hectares e quase sumiu do Estado.
Para o diretor do Departamento de Operações da Seab, Humberto Malucelli Neto, o lançamento do programa, no final de julho com o anúncio de linhas de crédito complementares, balançou o planejamento que o produtor vinha fazendo para a safra 97/98. Quem já tinha optado por outros produtos, ficou indeciso com as facilidades de crédito oferecidas. Com base nisso, os técnicos da Seab acreditam que em pouco tempo o Paraná poderá voltar a plantar a área histórica, em torno de 400 mil hectares de algodão.
A preocupação é recorrer a uma estratégia para garantir a tecnologia no cultivo, afirmou Malucelli. Isso explica os diversos treinamentos que serão feitos através de reuniões e seminários. Cerca de 30 monitores trabalharão com 300 técnicos que, por sua vez, repassarão conhecimentos sobre a condução da lavoura para cerca de 12 mil produtores.
Café adensadoOutro programa com incentivos oficiais é o plantio do café adensado. Este ano o Governo do Estado está investindo R$ 4 milhões na produção de 130 milhões de mudas que, somadas às 60 milhões de mudas distribuídas no ano passado, são responsáveis pelo incremento de 16.250 hectares de café adensado. Estão sendo criados como isso, calcula Malucelli, 50 mil empregos diretos e indiretos.
O modelo, criado pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), envolve 18 técnicas diferentes, para garantir o aumento da produtividade 10 dez sacas por hectare para 50 sacas por hectare, em média. Independentemente do preço do produto, que este ano subiu para R$ 200,00 a saca e acabou provocando uma corrida desenfreada por mudas, o café adensado é viável e foi desenvolvido especialmente para a agricultura familiar, afirmou Malucelli. Ele justifica, argumentando que a técnica entra como modelo de diversificação na pequena propriedade e que o sistema é ideal para ser tocado por membros da família.
O fornecimento de mudas é feito através de convênios com prefeituras, cooperativas e associações de produtores que estão disputando todas as mudas, oferecidas a R$ 27,00 o milheiro. Trata-se de uma interferência benéfica do Governo no Mercado, destaca Malucelli. Não fosse a produção oficial de mudas, que abasteceu e regulou o mercado este ano, a inciativa privada não iria atender a demanda e os preços teriam explodido, acrescenta.
MilhoEnquanto os produtores das regiões Norte e Oeste do Estado estão preocupados em incorporar cada vez mais tecnologia ao sistema de produção, outros produtores ainda estão parados no tempo. Nas regiões mais carentes, do Norte Pioneiro à região Sul, muitos produtores ainda recorrem a sementes de paiol para plantar o milho.
Segundo avaliação da Seab, pelo menos 400 mil hectares de milho serão plantados com grãos comuns, sem qualquer tecnologia. O rendimento do grão não alcança 1000 quilos por hectare, enquanto o uso de semente fiscalizada rende em média 3 mil quilos por hectare.
Para demonstrar as vantagens do uso de semente fiscalizada, a Seab implantou o programa de sementes de milho, que tem um caráter mais educativo. Este programa repassa até três sacas para cada produtor. Desde 1995, a Seab está repassando uma média de 80 mil sacas de sementes fiscalizadas por ano. O custo desse programa está orçado em R$ 1,4 milhão e atende cerca de 25 mil famílias.
Outros programasJá no programa de calcário a Seab vem investindo cerca de R$ 13 milhões por ano, no repasse de 700 mil toneladas do insumo, o que representa quase 10% da demanda anual. O programa obedece a legislação estadual instituída em 1995, que prevê o repasse de calcário com subsídios ao produtor. Cada produtor beneficiado recebe 50 toneladas e a Seab paga a fundo perdido o equivalente a 70% do preço média regional colocado na propriedade. O restante é bancado pelo produtor, prefeitura ou associação de produtores.
Outro programa de incentivo deflagrado pela Seab refere-se ao plantio da erva-mate nas regiões Sul e Centro-Sul, pela carência de alternativas econômicas durante o inverno. Segundo proposta apresentada, a Seab está disposta a apoiar até 70% na implantação de viveiros de mudas de erva-mate, mas não está obtendo receptividade junto às prefeituras e associações de produtores. O programa ainda não deu certo por falta de envolvimento das lideranças de produtores dessas regiões, lamentou Malucelli.
Segundo ele, a erva-mate gera renda para os pequenos produtores, mas a atividade é extrativista e está perto de se esgotar. A Seab quer incentivar o plantio, sustentado em pacote tecnológico desenvolvido pela Emater para oferecer uma alternativa de renda que, segundo o técnico, pode ser um excelente nicho de mercado para os produtores que não conseguem boas produtividades no plantio de feijão e milho. Mas falta o empenho da comunidade, finaliza.


