Estado busca maior controle da brucelose
Apesar da febre aftosa estar controlada no Paraná com índice de vacinação de quase 100% todos os anos as outras doenças que atingem os bovinos, como a tuberculose e a brucelose, ainda têm números preocupantes no Estado. Dados da Adapar apontam que a taxa de vacinação da brucelose, doença que atinge o aparelho reprodutor das fêmeas, é de apenas 65% nas propriedades paranaenses. Detalhe: como acontece com a febre aftosa, a vacinação dos bovinos contra a brucelose também é obrigatória.
A gerente de sanidade animal da Adapar, Mariza Koloda, explica que uma das dificuldades para vacinar o rebanho contra a brucelose é que a aplicação só pode acontecer quando o animal possui entre 3 e 8 meses de idade. "Infelizmente, ainda temos grandes focos desta doença no Estado. Na região de Umuarama e Paranavaí, por exemplo, em 14 de cada 100 propriedades foram encontrados focos da doença, ou seja, 2,82% dos animais."
Quando o produtor não aplica a vacina, o animal contaminado rapidamente espalha a bactéria por todo o rebanho. "O animal não consegue se reproduzir e, quando constatado que ele está com a bactéria, vai direto para o abate causando um enorme prejuízo. Além disso, é transmissível para os seres humanos através do leite, por exemplo", salienta a veterinária especialista.
Para tentar diminuir o problema no Estado, a Adapar lança, provavelmente em meados deste ano, o Projeto de Incremento da Vacina de Brucelose Bovina. O trabalho traz uma nova vacina aos produtores, a RB-51, com nova tecnologia que poderá ser aplicada em animais saudáveis mesmo após os oito meses de idade. "A RB-51 não irá isentar o produtor da vacinação obrigatória no período de três a oito meses. Ela será aplicada quando o pecuarista não fizer a primeira vacinação (B-19). De qualquer forma, o produtor será multado e depois obrigado a injetar a RB-51 nos animais saudáveis. Lembrando que não existe cura para esta doença."
Já em relação à tuberculose não existe vacina e todo o cuidado para que o animal não seja contaminado pela microbactéria é através de exames no trânsito dos animais, que são obrigatórios. Um estudo de prevalência da doença em propriedades no Paraná apontou uma contaminação de duas a cada 100 propriedades, ou 0,42% dos animais. "É um controle mais difícil, já que não existe vacina, a sanidade tem que ser no manejo", explica Mariza.
Em relação ao setor aviário e de suínos, a veterinária salienta que a vigilância também é constante e que os setores estão bem tecnificados atualmente. "Nosso trabalho tem que ficar ainda mais rigoroso quando há um aumento de produção", complementa. (V.L.)





