ESTAÇÃO DE MONTA
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de setembro de 2003
Reportagem Local 
Começa a estação de monta e os fazendeiros que ainda não têm um projeto definido são bombardeados com uma série de informações sobre o que cruzar e com quem cruzar. Afinal, são muitas as opções de raças taurinas e zebuínas.
''O produtor tem que analisar as condições de sua propriedade e verificar o que é bom para tais condições, sem se deixar influenciar por modismos. Às vezes, o que é bom para o vizinho não é o melhor para as condições dele''.
É o que sugere o veterinário Delmiro Rodrigues, gerente de Corte da Araucária Genética Animal, empresa que trabalha com 28 raças, um dos maiores patrimônios genéticos do País.
Cada raça tem seus pontos fortes e fracos, dependendo da finalidade: produção de matrizes, animais precoces ou superprecoces, etc.
Nem sempre uma raça que está na mídia é a melhor raça para aquela propriedade e aquele projeto a que se destina - aponta Rodrigues, que usa o exemplo da soja: a melhor variedade de semente para o Paraná não é, necessariamente, a melhor semente para o cerrado.
Para encontrar a raça e o touro a ser utilizado, o produtor tem que levar em conta a estrutura da sua propriedade. Devem ser considerados fatores como disponibilidade e tipo de alimentos, qualificação da mão-de-obra, processo de cruza a ser utilizado - se monta natural ou inseminação -, clima da região ou microregião e incidência de ectoparasitas (há regiões com maior incidência de carrapatos e bernes).
Outras variáveis, segundo Rodrigues, devem ser consideradas na individualização das raças. Neste caso, para as fêmeas, pesam características como facilidade de parto, habilidade maternal, entre outras. No caso dos machos entram variáveis como rendimento de carcaça, acabamento de gordura, potencial de crescimento (ganho de peso), precocidade e outros.
O produtor vai pegar esses pontos e verificar para qual deles deve conferir maior importância, considerando as condições da sua propriedade, que é o ambiente em que os animais serão desenvolvidos e o projeto a que se destina.
Enfim, Delmiro Rodrigues, sugere estes pontos como básicos, porém é importante que o produtor não deixe de olhar para dentro da sua propriedade. Delmiro também é diretor-executivo do Instituto de Desenvolvimento Pecuário (Indep), que tem como intuito a difusão de tecnologia, a capacitação de mão-de-obra e a certificação animal.
''A gente tem que pegar todas essas variáveis e, a partir daí definir que opção de cruzamento deverá ser feita, levando sempre em consideração a economicidade e a taxa de retorno desse investimento no imediato, médio e longo prazos.


