Estação antecipada garante prenhez
Cláudia Barberato
De Londrina
A perspectiva de pastos ruins no momento correto de iniciar a estação de monta (final de outubro e início de novembro), comprometendo a qualidade do alimento a ser fornecido ao rebanho e o estado físico dos animais, fez com que o criador e veterinário Alexandre Kireef antecipasse o manejo, neste ano, para setembro. Segundo ele a antecipação não prejudicará o manejo e sua expectativa é de um taxa de prenhez de 85% até o final da estação.
A estação de monta antecipada, na Fazenda Fim da Picada, propriedade de Kireef, aconteceu devido a previsão de um clima ainda mais seco e com pouca chuva na primavera. A previsão é de pastagens ruins para a época recomendada (outubro/novembro). Aproveitamos o bom estado da vacada, antes que emagrecessem mais. As fêmeas já estão ciclando, em condições de serem inseminadas ou cobertas pelo touro e os resultados têm sido bons, afirma Kireef.
Segundo o criador, a quantidade de vacas entrando no cio acompanha o padrão da época recomendada para a cobertura. A inseminação começou no dia 1º de setembro, com aproximadamente 4% do lote de fêmeas em cio diário. O repasse com o touro será feito a partir do dia 12 deste mês. No repasse, o touro é colocado no lote de fêmeas por 42 dias. Um touro de alta libido terá que servir 50 fêmeas, prevê Kireef.
Nascimentos antecipados Normalmente a estação de monta começa em final de outubro, prevendo que os nascimentos aconteçam no final do inverno, quando se espera que as pastagens estejam em boas condições. Como a estação de monta foi antecipada este ano na Fazenda Fim da Picada, a bezerrada nascerá em agosto, fora da época adequada de qualidade de pastagem, o que poderá ser um problema para o criador.
O ideal é que os nascimentos fiquem concentrados para o final do inverno e começo da primavera. Mas este ano, segundo Kireef, a prioridade foi manter a taxa de prenhez. Preferimos arriscar e enfrentar o desafio de oferta de alimento menor no ano que vem. Este ano a vacada vai emagrecer bem até novembro, porque as pastagens estão bem prejudicadas, primeiro pela seca, depois pela geada e a chuva que ainda não veio. No ano que vem, para os nascimentos, deveremos reservar algumas áreas de pastagem para o gado que vai parir fora de hora, garante Kireef.
Segundo o criador, a quantidade de vacas entrando no cio acompanha o padrão da época recomendada para a cobertura. A inseminação começou no dia 1º de setembro, com aproximadamente 4% do lote de fêmeas em cio diário. O repasse com o touro será feito a partir do dia 12 desse mês. No repasse, o touro é colocado no lote de fêmeas por 42 dias. Um touro de alto libido terá que servir 50 fêmeas, prevê Kireef.
Kireef também antecipou a estação de monta dos animais que são criados em outra propriedade da família no Mato Grosso. O alvo principal foi o lote de novilhas de primeira cria. Para novembro não víamos perspectiva de sucesso para taxa de prenhez. Em novembro as fêmeas, com certeza, estarão em condição corporal inadequada para apresentar o cio, prevê Kireef.
Para iniciar o serviçoA condição adequada para que uma vaca apresente boa condição reprodutiva está baseada em três prioridades: primeiro a fêmea usa o alimento que consome para se manter; depois para amamentar seu filho e, por último, para ciclar ou apresentar o cio. Na falta de alimento, a fêmea começa a cortar este ciclo no sentido inverso. Primeiro não apresenta cio, depois corta a amamentação e, por último, tem sua saúde prejudicada.
Na raça nelore, caso do rebanho criado por Kireef, as fêmeas começam normalmente o serviço de reprodução aos 24 meses. Mas, já existem criadores que conseguem baixar a idade para até 13 meses, afirma. Na Fazenda Fim da Picada o trabalho de reprodução nas fêmeas começa por volta dos 18 meses. Para os machos, a idade reprodutiva começa entre os 18 e 20 meses. Antes disso, no entanto, um touro terá que passar por provas de ganho de peso e de desenvolvimento corporal e estar com exame andrológico maduro. É importante também fazer testes de libido para avaliar seu interesse sexual.
Manejo simplesKireef usa o manejo tradicional de cobertura. Primeiro faz a inseminação nas fêmeas e depois solta o touro no meio da vacada, por um período de 42 dias. Não há suplementação especial, apenas o pasto. As fêmeas que não emprenharem serão descartadas.
Outros cuidados com o rebanho ficam facilitados durante a estação de monta e depois no período dos nascimentos. A concentração dos partos dos animais num mesmo período, traz vantagens para os trabalhos de desmama, suplementação alimentar, castração, vermifugações e vacinações, entre outros.
Lotes uniformes de bezerros, esquemas de vacinação, vermifugação, castração, desmama e outros itens do manejo ficam mais fáceis de adotar com uma estação de monta definida, reforça o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande (MS), Ronaldo de Oliveira Encarnação.
Segundo o pesquisador, a estação de monta é uma prática de fácil adoção, com objetivo de concentrar os partos e facilitar outros manejos que serão subsequentes, além de trazer um efeito positivo sobre a produtividade geral da fazenda.
Para quem ainda não faz a estação, é hora de começar. A prática tem custo zero e é de fácil adoção, avisa o pesquisador. Outra vantagem, segundo Encarnação, é a possibilidade de um descanso do reprodutor, garantindo-lhe condições para recuperação e manutenção de sua atividade reprodutiva. Durante o período de descanso é possível identificar, através de exames andrológicos, e substituir se for o caso, os machos subférteis ou inférteis.Manejo deveria começar em novembro. Criador antecipou este ano em função da condição ruim das pastagens
A estação de monta pode ser iniciada com a inseminação e, depois no repasse, com a monta natural, no pasto. O touro, no meio das fêmeas, identifica as fêmeas em cioKireef antecipou estação de monta para garantir bom índice de prenhez das fêmeasUm touro de alta libido pode servir até 50 fêmeas. Solto no meio da vacada, ele procura as vacas no cio





