Jota Oliveira
De Londrina
Esta é a época do plantio da adubos verdes de inverno, que diminuem os riscos e aumentam a produtividade das culturas seguintes. A semeadura geralmente é feita de março a maio, porém nas regiões mais frias pode estender-se até junho. O pesquisador Ademir Calegari, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) recomenda que a palha dos adubos verdes seja deixada no solo, para o plantio direto das próximas lavouras.
A palhada que cobre o terreno, reduz os riscos das novas lavouras; agrega matéria orgânica e conserva a umidade do solo, deixando o terreno mais protegido em todos os aspectos. Calegari afirma que esses efeitos aumentam de 20 a 30% a produtividade da lavoura seguinte, já tendo sido obdservados incrementos de 40%.
Ação positivaSe não for colocado nada para proteger o solo, haverá reinfestação da área, deixando-a mais sujeita às invasoras, às intempéries e ao aumento dos custos de manutenção e manejo. Preservando-se a área, diminuirá o custo de produção. Algumas espécies de cobertura verde, como o pivotante nabo-forrageiro, reciclam os nutrientes do solo, bombeando-os do subsolo para a camada arável. E as leguminosas são fixadoras de nitrogênio. Essas plantas proporcionam economia nas adubações futuras, ao incrementar a biologia do solo com mais umidade, mais substrato, mais alimentos para os microorganismos.
Recorda o pesquisador que resultados de pesquisa e experiência de produtores ‘‘têm demonstrado efeitos favoráveis e aumento no rendimento de soja, milho, algodão, feijão, cana-de-açúcar, mandioca e outras culturas, pelo emprego dos adubos-verdes em rotação’’. Ele aponta resultados obtidos em Pato Branco, no Sudoeste do Paraná, com o cultivo de feijão sobre resíduos de diferentes adubos verdes que mostram os efeitos favoráveis da rotação. ‘‘Seguramente houve um conjunto de efeitos físicos, quimicos e biológicos no solo e isso aumentou os rendimentos do feijão ‘carioca’.’’
O feijão, como outros cultivos de renda, apresenta boas respostas ao uso de adubos verdes em rotação e, no caso de Pato Branco, Calegari diz que foi registrado aumento de rendimento, na safra seguinte, de 1.000% em relação à média regional em pousio.
Ressalva o pesquisador que o resultado de uma espécie de adubo verde sobre a lavoura posterior depende de vários fatores, como: características da área (‘‘não existe adubo verde para aqui ou ali, mas algumas espécies recomendadas para cada microrregião, porém após cada sistema produtivo tem espécies que se adaptam melhor’’).
FertilidadeSolos virgens, por mais ricos que sejam, acabam morrendo. É preciso repor a fertilidade perdida e isto pode ser feito através do cultivo de adubos verdes que, mesmo não tendo aproveitamento imediato como lavoura, enriquecerão a cultura plantada em seguida.
O sistema de plantio direto na palha impede a compactação do solo, facilitando a penetração da água e protege contra a erosão e suas consequências antieconômicas – perda de solo, de nutrientes naturais e de insumos, além da evaporação mais rápida da umidade e a esterilização do solo pela eliminação de microorganismos.
Experiências de produtores de várias regiões do Paraná (Norte, Oeste, Sudoeste) e outros Estados como Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com o Sistema de Plantio Direto adequadamente conduzido em rotação de culturas, têm mostrado resultados bastante favoráveis quanto ao rendimento de soja, milho, feijão, mesmo em anos com ocorrência de estiagem, como foi neste último ano agrícola. Ou seja, as plantas conseguem ter um melhor desenvolvimento e maior eficiência na absorção de água e nutrientes e, consequentemente, apresentam maiores rendimentos de grãos.
Também experiências feitas na região de Ribeirão Preto-SP, citadas por Calegari, mostraram que os sojicultores e cotonicultores, utilizando rotação de cultura com milho e amendoim, e adubação verde com mucuna-preta, obtiveram mais do dobro dos retornos obtidos pelos produtores pertencentes ao mesmo nível tecnológico, mas que não adotaram a inovação. De acordo com os resultados, mesmo em condições adversas os produtores obtiveram melhores resultados. Isto ocorreu devido aos maiores ganhos na produtividade, redução do número de operações e menor gasto com fertilizantes, inseticidas e fungicidas. Normalmente há uma tendência de acréscimo ao longo dos anos, conforme a matéria orgânica se acumula e melhora a capacidade produtiva do solo.
O Paraná cultiva mais de 6 milhões de hectares de lavouras anuais, na safra de verão. Apenas uma parte dessa área é utilizada no inverno, ficando o restante exposto à ação da erosão, lixiviação de nutrientes e infestação por invasoras. O uso de plantas de cobertura (adubos verdes), principalmente de inverno e também as de entressafra, tem mostrado eficiência no controle da erosão, proporcionando cobertura e proteção do solo, reciclagem de nutrientes, evitando perdas principalmente por lixiviação.
‘‘Hoje é ‘proibido’ deixar a terra em pousio’’, conclui Calegari. Muitos agricultores deixam a terra em pousio, isto é, sem plantar nada nela, no período de inverno, ‘‘para o solo descansar’’. A falta de cobertura desgasta o solo, destrói microorganismos e reduz a presença de microelementos, além de não contribuir para melhorar as lavouras seguintes e para a renda do agricultor.Adubos verdes deixam o solo em condições de enriquecer as lavouras da safra seguinte
O pesquisador Calegari em campo de aveia preta e ervilhaca peludaSoja em plantio direto. A palha protege o solo e os microorganismosInvernoO nabo-forrageiro, pivotante, carreia microelementos do subsolo para a camada arável

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