Elizabeth Caberlin, 29 anos, sai de sua casa na zona rural de Guaravera às seis da manhã, cinco dias por semana, para trabalhar como diarista em Londrina e no centro do distrito rural. Casada com o agricultor Claudiney Aparecido Caberlin, 31, e mãe de dois filhos de 8 e 11 anos, ela começou a trabalhar fora há dois anos atrás, para ajudar nas despesas.
Atualmente, os R$ 200 mensais que ganha garantem as compras da casa, de roupas e do material escolar das crianças. Graças ao seu salário, conseguiu adquirir um fogão novo e um forno de microondas, que é utilizado pela família para esquentar o almoço quando Elizabeth está fora.
‘‘Se eu não trabalhasse, nossa vida consistiria em ter dívidas com os outros e passar nervoso dentro de casa’’, acredita. Diante das circunstâncias, ela afirma que gostaria de mudar para a cidade, se o marido conseguisse um emprego. ‘‘O sítio não dá futuro para ninguém. Tudo que ganhamos é usado para pagar contas e continuar produzindo’’, opinou.
Claudiney compartilha da opinião de sua esposa. Responsável pelo cultivo de cinco mil metros quadrados de pepino, em quatro estufas, por uma lavoura de cinco mil pés de café e 100 pés de uva Niágara, ele garante que a maioria dos produtores está praticamente falida. ‘‘Só continuo plantando porque tenho crédito no mercado. Nunca trabalho com dinheiro no bolso’’, contou.
Por isso, 2001 pode ser seu último ano na terra. ‘‘Se dependesse da minha vontade, eu ficaria aqui fazendo o que sei. Mas a situação está cada vez pior, não sei se vou aguentar outro ano’’, disse.
Para ele, o problema poderia ser solucionado se o poder público oferecesse subsídios para a atividade agrícola.‘‘Existe mão-de-obra e produção suficientes, mas falta capital para os agricultores trabalharem’’, argumentou.
Claudiney e Elizabeth não querem que os filhos continuem vivendo da agricultura. ‘‘Espero coisa melhor para o futuro das crianças. Se tudo der certo, eles vão estudar e trabalhar na cidade’’, afirmou a mãe. Se depender da vontade da pequena Tuany, de 8 anos, Elizabeth não precisa se preocupar. ‘‘Quero estudar e ser professora. Aqui no sítio é bom no verão, quando a gente pode nadar e brincar com os primos, mas mesmo assim, prefiro morar na cidade’’, informou. (C.A.)

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