Esta planta originária do Brasil, encontrada em áreas de mata desde Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, Paraguai e Argentina, é uma das ervas mais estudadas e tem seus princípios ativos reconhecidos pela comunidade científica, não só no Brasil, como também no Japão, onde houve disputa para sua patente.
Informações sobre a espinheira já foram publicadas por esta coluna no ano passado, mas voltamos a falar dela, pela sua importância e porque surgiram novidades com relação as suas propriedades. Segundo o pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Paulo Guilherme Ribeiro, além desta planta ser um excelente remédio para úlceras e gastrite, ela tem sido utilizada na composição de produtos para emagrecimento. O pesquisador explica que a erva entra na composição de um produto utilizado para controle de obesidade, porque a ação antiinflamtória da espinheira reduz a chamada febre intestinal, provocada pela prisão de ventre. ‘‘Temos informações de que muitas pessoas têm fome provocada por esta febre intestinal e acabam sendo estimuladas a comer mais do que o organismo necessita’’, comenta Paulo.
O pesquisador alerta que as pessoas interessadas no consumo da espinheira-santa devem estar atentas, porque esta é uma das plantas mais falsificadas no mercado. ‘‘Tem muita gente que comercializa a sorocea, uma planta muito parecida com a espinheira, que cresce no mesmo ambiente, mas que não tem nenhuma propriedade medicinal conhecida’’, explica Paulo Guilherme.
Outra informação do pesquisador é que o chá de espinheira concentra mais seus princípios quando é preparado com as folhas rasgadas e não com a erva em pó.
CultivoA espinheira-santa é uma arvoreta que atinge 2 a 3 metros de altura. Os frutos são de cor avermelhada, e as folhas apresentam muitos espinhos na suas bordas. Apesar de ocorrer naturalmente em áreas sombreadas às margens de pequenos bosques, ela pode ser cultivada a pleno sol. É também bastante tolerante a geadas. Sua reprodução é feita por sementes, que devem ser postas a germinar logo após a colheita. As sementes começam a germinar 30 dias depos da semeadura e continuam germinando por mais três meses. Outra forma de propagação, comentada pelo agrônomo Ílio Montanari, em artigo publicado no Boletim Agroecológico, é através de estaquia dos galhos (que são difíceis de enraizar) ou das raízes. A estaquia das raízes pode ser feita com o corte da raiz em pedaços de 10-15 cm e enterrar a profundidade de 2 cm. A emissão de brotos neste sistema pode demorar até 4 meses. O Iapar tem mudas para comercialização a R$1,50 cada.
IndicaçõesAs folhas podem ser colhidas durante todo o ano (respeitando os 18 meses após o plantio) e secam facilmente à sombra. Diversas pesquisas confirmam as indicações da espinheira para tratamento de úlceras e gastrite. Ela é indicada ainda para azia, náuseas, sialorréia (excesso da saliva), dor de estômago e contra excesso de gases intestinais. Para estes casos deve-se preparar por decocção 1/2 colher de sopa de folhas trituradas em 1 xícara de água. Tomar 1 xícara antes das refeições. Ou se utilizam 10 folhas rasgadas para 1/2 litro de água fervente.
Para feridas, escaras e afecções da pele, coloque 2 colheres (sopa) de folhas picadas de espinheira e 3 colheres de confrei em 1/2 litro de água quente. Deixe esfriar, côe e aplique nas partes afetadas.
Efeitos colateraisÉ contra-indicada para gestantes. Ao se utilizar internamente, sugere-se para crianças com até 5 anos 1/3 da dose e, para crianças com mais de 5 anos, a metade.
Fontes‘‘Noções sobre o Organismo Humanso e Utilização de Plantas Medicinais’’, uma publicação da Universidade Estadual de Maringá. Para quem quiser adquirir mudas de espinheira-santa o telefone do Iapar é (43) 376-2000 Outras informações e sugestões pelo telefone (43) - 374-2118 com Cristina Côrtes ou pelo fax (43) 339-1412 ou e-mail [email protected]

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