Curitiba - A safra de verão 2003/04, que começa a ser plantada a partir do próximo mês no Paraná, ainda será dominada pelas lavouras de milho e soja. A perspectiva é ampliar o plantio da soja, cultura destinada à exportação, enquanto a área plantada com milho deve cair. O Paraná é um dos principais produtores com 24 milhões de toneladas na safra passada, só de soja e milho da primeira safra e da segunda safra.
Esse quadro deve ser mantido na próxima safra, com a liderança da soja. O assessor econômico da Ocepar, Flávio Turra, avalia que o plantio de soja no Paraná terá um incremento de 6,5%, enquanto o plantio do milho terá uma redução de 10%. No cálculo das cooperativas do Estado o plantio de soja avança de 3,57 milhões de hectares ocupados na safra passada, para 3,8 milhões de ha que serão ocupados pela nova safra de verão.
Parte desse aumento de área virá da redução da área de milho e parte virá da redução de outras culturas e da incorporação de novas áreas na região do Arenito, disse Turra. Segundo ele, haverá redução no plantio de milho nas regiões Oeste, Norte e Sudoeste do Paraná, enquanto na região Sul e Centro-Sul, onde os agricultores obedecem a necessidade de rotação de culturas, a tendência de redução de área para o milho será menor.
O preço da soja atualmente já não é tão atraente como foi no segundo semestre do ano passado, quando o agricultor ganhou muito dinheiro. De acordo com cálculos do engenheiro agrônomo Otmar Hubner, do Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Deral), o produtor teve um lucro de 50% quando vendeu a soja no início do ano. Agora, no início do segundo semestre, o lucro caiu para 32%, ''mas ainda assim está bom'', disse o técnico. ''Apesar da queda do lucro, o produtor aposta que o preço da soja pode melhorar no mercado interno ou que o câmbio valorize um pouco mais, acrescentou''.
Milho não terá preço - Já o preço do milho está caindo no mercado interno e o produtor teme a falta de liquidez do produto, disse a engenheira agrônoma do Deral, Vera da Rocha Zardo. O preço atual do milho já está em R$ 13,20 a saca, abaixo do preço mínimo que vai vigorar na safra de verão que será de R$ 13,50 a saca, o que representa um fator de desestímulo.
Para a técnica, nas regiões que o produtor tem a opção de plantar o milho safrinha, como no Norte, Oeste e Sudoeste, ele vai optar por plantar a soja. ''Nas regiões Sul e Centro-Sul, onde o produtor não tem essa opção, a tendência é investir em tecnologia para elevar ainda mais a produtividade. Com isso o produtor vai ganhar dinheiro no volume produzido'', analisou.
O Deral prevê também um aumento no plantio de feijão. O preço não está tão bom como foi na safra passada, quando a saca do feijão carioca chegou a R$ 120,00, mas o preço atual - cerca de R$ 58,00 - não está dando prejuízo, disse Vera Zardo.
Algodão -- As cooperativas prevêm uma pequena retomada no plantio de algodão, que na safra anterior ocupou uma área de 29 mil hectares, considerada inexpressiva, se considerar que o Paraná já foi o maior produtor de algodão, quando chegou a plantar uma área de 700 mil hectares no início da década de 90.
A agricultura familiar deve se esforçar para fazer o contraponto a este cenário e vai produzir mais feijão, mandioca, milho e produtos orgânicos, disse o diretor da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná (Fetaep), Jairo Correa de Almeida.
Segundo o diretor da Fetaep, o agricultor familiar aposta numa ajuda extra do governo para plantar o milho. O preço do grão está caindo no mercado interno e para não ter prejuízo, o agricultor está apostando que o governo vai recorrer a instrumentos como a compra de milho no local de produção, diretamente pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

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