Esperando uma reação
Quando se olha mais a fundo os números do trigo pelas diversas regiões do Paraná, é possível comprovar in loco que, de fato, os produtores deixaram a commodity para o segundo o plano nesta safra. Eles não têm dúvidas de que a cultura tem perdido força anualmente, mas continuam apostando nela com expectativa de uma reação do mercado.
Basicamente, todas as regiões do Estado passaram por retração de área. Na região Norte, por exemplo, a queda foi de 523,1 mil hectares (ha) para 465 mil ha, retração de 11%. Já no Sul, outra região com bom volume plantado, a área saiu de 310 mil ha para 247,7 mil ha, diminuição de 20%. O Sudoeste fechou com 160 mil ha (-9%), o Centro-Oeste 150 mil ha (-5%) e o Oeste 132,3 mil ha (-23%). O Noroeste, que possui a área menos relevante de trigo, praticamente parou de plantar a cultura, saindo de 5,9 mil ha para 470 ha (-92%).
O produtor Américo Amano aposta no trigo quase que por teimosia, aguardando um fôlego para a atividade que, segundo ele, não acontece "há uns dez anos". Sua propriedade, localizada em Cambé, possui 75 alqueires e este ano ele dedicou apenas um terço da área para a cultura. "Ano passado, foram 45 alqueires, mas nesta safra não deu para manter tudo isso."
Sem meias palavras, Amano salienta que hoje a atividade não consegue trazer um retorno efetivo. "Ano passado o preço estava ruim e o tempo não ajudou, com muita chuva na colheita. Além disso, na pré-colheita, o governo tirou o imposto de importação do trigo canadense, o que dificultou ainda mais nossa vida. Isso desanima demais o produtor para continuar na atividade."
Na ponta do lápis, ele relata que o custo de produção da commodity hoje fica em torno de 100 sacas por alqueire. "Em 2015, o que investimos foi o que tivemos de retorno, ou seja, empatamos. Para ficar interessante nesta safra, acredito que teríamos que produzir 150 sacas por alqueire. A maioria dos produtos que usamos, principalmente os adubos de cobertura, são importados, além dos herbicidas e inseticidas."
No final das contas, o milho safrinha acabou sendo a melhor opção para o produtor. "Só não plantei toda a área com milho porque não dá para colocar todos os ovos numa cesta só. Plantei o trigo para não deixar a área descoberta, mas sempre fica aquela expectativa para uma melhora dos valores pagos", complementa. (V.L.)





