Esperando a ferrugem
Técnicos fazem a primeira coleta de material nos plantios antecipados. Controle, se necessário, deve ser feito com orientação
O projeto ''Syntinela'', que visa diagnosticar a presença da ferrugem asiática nas lavouras de soja, fez esta semana a primeira coleta de material (folhas de soja) para análise. A coleta foi feita em experimentos instalados em Cambé e Bela Vista do Paraíso, na Fazenda Ouro Verde, de José Roberto Dalcin.
Uma parceria entre Syngenta e Belagrícola pretende proporcionar aos sojicultores da região de Cambé a oportunidade de saber, com antecedência, se há indícios da doença.
Segundo o engenheiro agrônomo Rodrigo Marques Tramontina, ''O objetivo das empresas, através de plantios antecipados, é acompanhar as condições de desenvolvimento e sanidade da soja. Caso a ferrugem asiática apareça, o agricultor terá tempo para tomar os cuidados preventivos na época de plantio''.
Uma vez constatada a presença do fungo, os técnicos pretendem entrar imediatamente em contato com a Embrapa.
A rápida proliferação do fungo e os prejuízos causados ano passado no Mato Grosso (a Embrapa informou que não houve registro no Paraná), é que tem sido motivo de preocupação.
Tramontina explica que a região é de baixo risco para entrada da ferrugem. ''Mas a gente vem observando que a ferrugem tem uma característica de se adaptar a vários meios e várias culturas. Com isso, o fato de estarmos numa região de baixo risco não quer dizer que ela não vá aparecer. Baixo risco que eu digo é assim: quanto maior a altitude e mais frio o clima, a probabilidade de a ferrugem aparecer é maior. Cambé está entre 450 e 550 metros de altitude. Tem-se observado que a ferrugem asiática aparece com maior intensidade em regiões que têm maior umidade e temperaturas mais amenas''.
Estamos torcendo para que isto não aconteça, mas se ocorrer, os produtores terão tempo e orientação para evitar e reduzir as perdas. Para o agricultor José Roberto Dalcin, a disseminação da ferrugem é alarmante e requer atenção. Na opinião dele, as áreas de observação são importantes porque funcionam como um aviso para o agricultor se prevenir, caso se constate a presença do fungo.
A maioria dos agricultores não acredita no aparecimento da doença no Paraná, nesta safra. Para esses agricultores, o fungo está atacando nas regiões mais propícias do cerrado. No entanto, concordam que a lavoura tem que ser monitorada e observada. E toda e qualquer iniciativa de controle tem que contar com orientação de um engenheiro agrônomo.

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