"Esperamos que a partir do ano que vem a situação melhore"
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sábado, 31 de agosto de 2019
Vitor Lopes 
Bagagem na atividade, boa produção, mas uma verdade inconveniente: poucas vezes os avicultores paranaenses viram uma crise tão pesada como a atual. Há pelo menos três anos eles amargam resultados ruins, valores baixos recebidos pelas integradoras e sempre na expectativa que o cenário vai melhorar, mas a situação ainda não engrenou nem com a chegada do novo governo.
Ilseu Peretti, avicultor há 25 anos na cidade de Chopinzinho, trabalha com quatro aviários na produção de 190 mil frangos griller por lote. Ele não titubeia em dizer. “A crise dos últimos três anos é a pior vivida na atividade, parece que não decola mais. Quando a gente imagina que as coisas vão andar, sempre aparece um fato em nível de governo, uma barreira sanitária, sempre tem alguma coisa incomodando.”
Ele explica que a sua rentabilidade se mostra no vermelho quando os custos operacionais - de depreciação - são colocados na conta. Peretti relata que muitos produtores não fazem bem essa análise, às vezes não contabilizam a mão de obra familiar e nem mesmo o custo de energia da lenha, que está sendo extraída da propriedade. “Tem produtores que chegaram a pedir a minha ajuda para ir negociar no banco porque não estão conseguindo honrar os saldos financeiros.”
Pelas contas do produtor, o ideal no seu caso era receber em torno de R$ 0,55 por cabeça do animal entregue a integradora. Hoje, o valor fica em torno de R$ 0,36. Entretanto, ele prefere não jogar todo o fardo na empresa parceira. “Percebo que nesta crise estamos todos juntos, a empresa não está conseguindo respirar e estamos dividindo a conta. Hoje (pelo tamanho da atividade na vida do produtor) estou num casamento sem direito a divórcio. Esperamos que a partir do ano que vem a situação melhore.”
José Carlos Spoladore é produtor de frango pesado há dez anos e presidente da Associação dos Avicultores de Cianorte (Avic). Ele possui quatro aviários e entrega em torno de 120 mil aves para a integradora a cada 48 dias. Ele relata que este ano o maior problema foi a falta de pintainhos na região, o que fez com que o intervalo entre os lotes aumentassem para 60 , mas que agora já está se regularizando. Com isso, perdeu rentabilidade. “Agora estamos com a previsão que entregamos o último lote fora do prazo normal.”
Em relação aos custos, ele diz que é um assunto complicado, porque cada produtor tem o seu. “Hoje no meu caso é a mão de obra, energia elétrica e a lenha. Tenho duas famílias que cuidam de quatro granjas. Mas não posso reclamar porque acabei recebendo médias boas de pagamento. É claro que é um cenário complicado no momento. Esperamos que melhore já qu (V.L)


