O Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) anunciou quinta-feira, 24/8, à tarde, a previsão da safra de verão 2000-2001, que trabalha com a perspectivas de redução de 0,64% da área e aumento de 15% da produção. Confirmando-se a previsão, o Estado semeará neste período 5.011.770 hectares e colherá, se o tempo correr normalmente, 15.897.776 toneladas de grãos, informou a engenheira-agrônoma Vera Zardo, daquele departamento.
Em função das boas perspectivas de comercialização do milho, a área cultivada no Paraná deve crescer 15%, segundo avaliação feita pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura. A área plantada com milho na primeira safra do ano passado foi de 1.543.000 hectares e na safra 2000/2001 deve atingir 1.774.000 hectares. Produtores tecnificados que plantaram o feijão na safra passada, estão deixando de plantar este ano e estão migrando para o milho.
A área plantada com feijão, por sua vez, cai 17%. No ano passado foram plantados 451.000 hectares e este ano devem ser plantados 376.181 hectares. Os produtores menores estão descapitalizados, com dificuldades de obter recursos porque não conseguem atender às exigências do banco para financiar a safra, disse a agrônoma Vera Zardo.
Da soja, o Deral estima uma queda de 5% na área plantada. No ano passado, foram plantados 2.848.000 hectares e este ano devem ser plantados no máximo 2.714.000 hectares, constataram os técnicos da Secretaria da Agricultura.
No Paraná, o Deral prevê um aumento de 18% na área de algodão, que deve crescer de 53.800 hectares plantados na safra passada, para 63.700 hectares na próxima safra. A produção chegará a 143.000 toneladas em caroço, o que dará 50.000 t de pluma.
Cenário promissorApesar dos efeitos danosos da estiagem, seguidos de geadas fortes que provocaram desesperança entre os produtores paranaenses, o cenário é promissor para o plantio da safra, na avaliação do secretário nacional de Politica Agricola do Ministério da Agricultura, Benedito Rosa do Espírito Santo. Ele justifica que o cenário internacional é positivo e a economia mundial acena com crescimento da economia e, como consequência, da demanda por alimentos. ‘‘É com esse clima que deve ser plantada a safra de verão’’, disse Benedito Rosa. Ele esteve em Curitiba, na semana passada, participando de uma teleconferência promovida pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep).
A sinalização de que a safra 2000/2001 terá um cenário de comercialização, com o mercado mundial mais aquecido, não animou o presidente da Faep, Ágide Meneguette. Segundo ele, a ultima safra plantada neste milênio é uma das mais problemáticas do País nos últimos anos. Destacou que o Paraná vem de uma tragédia, com lavouras destruídas pelas geadas, e a previsão é que os estragos vão repercutir por muito tempo.
Para Meneguetti, as perdas não podem ser traduzidas apenas em números.‘‘Muitos estão sem possibilidades de plantar a nova safra. Outros perderam lavouras e não terão renda em dois a três anos’’. Ele lembrou que a perda de empregos no meio rural desestrutura a economia do Interior e é uma ameaça às cidades.
Benedito Rosa lembrou que a Ásia voltou a comprar alimentos como comprava no passado, o que deverá aquecer o mercado de commodities e carnes, produtos dos quais o Brasil tem condições de elevar as exportações e conquistar novos mercados. A Organização Mundial do Comércio prevê crescimento de 7% no comércio internacional de alimentos este ano.

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