Especialistas veem consumo por modismo e sem continuidade

O cultivo e a venda de Pancs (plantas alimentícias não convencionais) poderia ser uma importante fonte de renda para os pequenos produtores, mas os especialistas no assunto consideram que o consumo se dá mais por modismo e não é contínuo. "Por não necessitar de todos os tratos culturais e insumos usados no plantio tradicional, dá condição do agricultor vender e gerar riqueza na região. É uma bobagem não consumir essas espécies", diz o pesquisador Paulo Guilherme Ribeiro, do Iapar (Instituto Agronômico do Paraná).
Para o produtor Eduardo Carriça dos Santos, mesmo os cozinheiros de restaurantes famosos passaram a usar algumas Pancs para valorizar o próprio restaurante. "Não sei se é para apresentarem algo novo ou para agregar valor à cozinha deles, porque não vejo reflexo disso na feira."
O biólogo Diego Contiero da Silva diz que enxerga mercado para os produtos, mas desde que ocorra um movimento mais forte de resgate desse tipo alimento. "Se o consumidor procurar hoje, pode ser difícil de encontrar, mas poderia ser um produto até mais barato, em teoria, porque também é mais barato para produzir."
O engenheiro agrônomo Ronaldo Pavlak, da Itaipu Binacional, afirma que, em Foz do Iguaçu, há aumento na procura por Pancs. "É direcionado. São pessoas que fazem contato com lojas de produtos naturais, mas é algo que tem saída nas feiras livres", diz.
Em Londrina, a empresária e cozinheira do restaurante Comidaria Green, Tutty Fujarra, afirma que optou por oferecer pratos com Pancs por seguir uma linha de alimentos orgânicos. Mesmo assim, considera que a demanda não é tão grande porque há desconhecimento sobre os produtos. "Conheci por uma pessoa que dava cursos, pesquisei e acabei plantando ora-pro-nóbis no meu restaurante", diz.
Ela usa o "bife vegetal" em omeletes e como salada, além de oferecer ainda pratos com a folha peixinho, a flor da capuchinha e o broto da abóbora, a cambuquira. "Todo mundo gosta. Ponho uma plaquinha com a explicação sobre as propriedades e gera curiosidade", diz Fujarra, que pretende plantar mais variedades na própria chácara.
GUIAS DE PANCS
O mais completo guia sobre variedades vegetais alternativas é o título "Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil: Guia de Identificação, Aspectos Nutricionais e Receitas Ilustradas" (editora Instituto Plantarum, 2014), dos pesquisadores Valdely Kinupp e Harri Lorenzi. São 748 páginas com informações sobre 351 tipos de vegetais alternativos.
Há ainda uma grande variedade de guias gratuitos na internet. Três dos que podem ser baixados e são facilmente encontrados são o do Instituto Kairós, feito em parceria com a Prefeitura de São Paulo, o da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e o da Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais). Em ferramentas de busca, basta digitar "Pancs" e o nome dos órgãos. (F.G.)





