''Defesa sanitária animal é questão de segurança nacional''. A declaração é do professor de medicina veterinária preventiva da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Amauri Alfieri, ressaltando que um surto de doença traria consequências negativas para toda a cadeia produtiva, incluindo produtores, revendedores de insumos e a população em geral. O avanço da produção nacional exige, em contrapartida, mais ações na área de defesa sanitária. ''Quanto mais se aumenta o rebanho e se concentram esses animais, o risco aumenta e é preciso trabalhar muito mais com a defesa sanitária'', lembra.
Segundo Alfieri, não se pode criticar os produtores, pois o índice de vacinação do rebanho bovino é de 95% a 97% no caso da febre aftosa no Paraná. ''O pecuarista está fazendo a parte dele. O que nós precisamos fazer é ver o que estamos executando na parte oficial'', observa. O professor chama a atenção para o fato de que o Brasil não realiza análise de risco com a frequência necessária. Esse tipo de estudo possibilitaria a verificação do risco de introdução de uma doença no País; quais os locais por onde a doença pode entrar; como pode ser evitada, e ainda verificar se o Estado está preparado para uma ação imediata de controle, levando em conta o número de fiscais, o nível de capacitação desses profissionais, a infraestrutura de apoio e a rapidez e confiabilidade do diagnóstico.
''Precisamos ter ações integradas de defesa sanitária animal, que envolvam desde o treinamento dos fiscais, realização de análise de risco e ações específicas como controle de divisas e vacinação'', indica. De acordo com o professor da Universidade de São Paulo (USP), Roberto Grassi Neto, as leis que definem os critérios de segurança alimentar e sanidade animal precisam ser aperfeiçoadas. ''Deve ser adotado um sistema de segurança alimentar mais amplo, que abranja a ideia de acesso a alimentação em quantidade suficiente e também a questão da sanidade desse alimento. Há ainda a questão da biotecnologia, que deve ser utilizada de modo parcimonioso para que não se colha no futuro um resultado negativo advindo da falta de uma maior prudência nesse momento'', avalia. Grassi Neto afirma que a estruturação de políticas macroeconômicas envolvendo a produção de alimentos é fundamental para que o desenvolvimento do País ocorra de maneira sustentável.
Embargo
Na questão do embargo russo, Alfieri acredita que a decisão possui cunho político-comercial e que foi utilizada como pressão para redução de preços. ''O ideal é que tivéssemos um leque maior de clientes. Se melhorarmos nossa sanidade, poderemos vender para Estados Unidos e União Europeia, e não apenas na África e Ásia''. Para Grassi Neto, a produção brasileira já alcançou um nível de sanidade extremamente alto. Segundo ele, ao longo dos três últimos anos, o País alterou sua condição fitossanitária e tentou se adaptar às exigências da União Europeia. ''Por questões políticas e de comércio internacional, a União Europeia ainda está sendo resistente, mas compete ao Brasil incrementar todos os esforços para que o embargo seja mantido, ou seja, efetivamente manter a sanidade do produto brasileiro, como também implementar todas as ações políticas necessárias'', argumenta.(M.F.)

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