Especialistas alertam para alterações no clima
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sexta-feira, 01 de junho de 2007
<br> Reportagem Local 
A safra de inverno ainda nem foi colhida e o olhar já se volta para o próximo cultivo de verão, que começa a ser plantado em setembro. Diferente da última safra de verão, em que o fenômeno El NiÀo trouxe um clima favorável à produtividade, a próxima safra de verão deve se desenvolver sob as adversidades geradas pelo fenômeno La NiÀa.
A previsão foi feita pelo meteorologista Luiz Lazinski, do Instituto Nacional de Meteorologia, que participou de um workshop sobre a safra de verão, organizado pela Cooperativa Integrada em Londrina. ''A maioria dos modelos meteorológicos apontam para a intensificação da La NiÀa, um fenômeno causado pelo resfriamento das águas do Pacífico e que já está interferido no regime de chuvas e clima da Região Sul'', comenta Lazinsky.
Esse fenônemo vem ganhando força e é um dos responsáveis por essa queda acentuada da temperatura, além de poder influir nas precipitações para os próximos meses. ''Um dos principais efeitos do La NiÀa é a instabilidade climática, alternando períodos de calor com quedas bruscas de temperatura'', diz o meteorologista. ''Outra característica é a inconsistência nas chuvas, ou seja, deve haver períodos curtos de chuvas intensas, mas esparsas, com períodos maiores sem chuvas'', completa.
O evento realizado pela Integrada reuniu o corpo técnico da cooperativa, composto por mais de 90 engenheiros agrônomos e técnicos agrícolas. ''Realizamos dois eventos desses por ano, que tem como objetivo preparar nossos técnicos para a safra, analisando as perspectivas para o período e, depois, levar essas informações para nossos cooperados'', explica o presidente da cooperativa, Carlos Murate.
Além do clima, o evento também trouxe profissionais que apresentaram prognósticos sobre mercado, tecnologia agrícola e manejo de doenças para as culturas de verão. A pesquisadora da Embrapa Soja, Cláudia Godoy, alertou os participantes sobre a relação da ferrugem asiática com o clima. Para a pesquisadora, a possibilidade do La NiÀa influenciar o clima na safra de verão pode tornar o ambiente menos propício para a disseminação da doença, mas o perigo sempre vai existir. ''O fungo vai estar presente em toda a safra e o melhor remédio ainda é a prevenção'', analisa Cláudia Godoy.
Para ela, o clima tem um papel importante no ataque do fungo, que se alastra em condições de temperatura entre 20ºC e 22ºC, com molhamento de seis horas seguidas. ''A chuvas favorecem a possibilidade de epidemia, pois ela dificulta as estratégias de controle'', afirma a pesquisadora da Embrapa.
Com relação ao manejo da doença, a pesquisadora recomendou o monitoramento e a prevenção, além de usar a ferramenta de escolha de ciclos das cultivares. ''Quanto mais tarde se plantar, maior será o custo do controle da doença. O ideal é sempre monitorar a lavoura e fazer a aplicação logo após aparecer os primeiros sintomas, sempre considerando as condições climáticas'', aconselhou.


