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sexta-feira, 25 de julho de 2003
Lucinéia Parra<br> Equipe da Folha 
Maringá - A falta de estoque regulador, os altos custos dos insumos, tributação pesada e ainda a falta de uma política mais clara, são alguns fatores que dificultam melhor desempenho da agricultura no País. A opinião é do ruralista Carlos Roberto Pupim, 48 anos. Produtor de soja na região de Maringá, Pupim diz que, assim como no comércio ou indústria, na agricultura não há mais espaço para amadorismo e só obtém bons resultados os produtores que tratam o setor como empresa.
A falta de uma política mais clara e com regras mais definidas para o setor é a principal crítica de Pupim. Segundo ele, o governo peca em não ter uma política de zoneamento mais definida e com isso deixa todos os produtores inseguros e numa verdadeira luta onde o lema é ''salve-se quem puder''. Pupim diz que está confiante no trabalho do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues e que os recursos disponíveis para o setor divulgado recentemente por Rodrigues é um começo para dias melhores. ''Ele (Rodrigues) é bem intencionado e conhece muito o setor, mas é preciso fazer ainda mais pela nossa agricultura'', salienta.
Produtor de soja em uma área de mil hectares, Pupim não consegue ''digerir'' os altos preços dos insumos. ''Os produtos que usamos para o plantio é cotado em dólar e o preço da soja também acompanha a variação do dólar para a venda, só que, quando o dólar está lá em cima os preços dos insumos disparam e quando o dólar cai, nós temos que vender mais barato mas os preços dos insumos não caem'', justifica. Segundo ele, apesar de estar com preço até 30% mais barato que o ano passado, a produção de soja ainda compensa e o Paraná não deve abandonar a cultura, assim como o milho e trigo que são tradicionais no Estado.
Apesar das dificuldades, Pupim ainda se sente privilegiado uma vez que possui armazéns e uma condição financeira que permite esperar o melhor momento para a comercialização. ''Só vendo na entressafra'', afirma. Como o pai que era produtor de café na década de 50, Pupim também acompanha de perto todas as etapas do plantio em suas propriedades. Um engenheiro agrônomo o auxilia no plantio e manejo das lavouras, mas na hora de comprar e vender os produtos, é o próprio Pupim que está à frente das negociações. ''Hoje em dia, o produtor rural tem que agir como um empresário, comprando e vendendo com muito cuidado e segurança'', conclui.


