Espaço limitado, grande produção
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sábado, 26 de novembro de 2005
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Planejamento estratégico e busca de alternativas incluem-se entre as práticas bem sucedidas adotadas por Nivaldo Micheti, produtor de leite há 15 anos, em Santana do Itararé (119 km ao sul de Jacarezinho). A propriedade de 72 hectares (ha) destaca-se como uma das mais rentáveis do Estado. Não utilizo equipamentos de última geração, pois isso não é necessário. Descobri que é possível uma grande produção mesmo com um espaço limitado de área, diz.
Com uma plantel de 110 animais adultos 95 em lactação e mais 110 novilhos das raças Jersey e Holandês, Micheti produz atualmente, dois mil litros de leite por dia. As novas práticas adotadas pelo produtor têm por base uma pastagem de boa qualidade que, de acordo com sua filosofia, libertou da necessidade de altos investimentos. No verão utilizamos 10 ha de pastagem por animal. No inverno também, mas com a complementação de cana-de-açúcar com uréia. Hoje, gastamos cerca de 20 minutos apenas para alimentar os animais, diz o produtor.
Micheti começou a trabalhar com gado de leite em 1990 sem nenhuma assistência técnica nem qualquer tipo de orientação, frisa. Naquela época, a produção do rebanho não atingia mais do que 36 litros de leite por dia. Os animais eram criados soltos no pasto, mas sem o conhecimento de que poderia tornar a pastagem um alimento nobre. O produtor destaca que a mudança no sistema produtivo ocorreu com o apoio de técnicos de uma empresa de insumos, em meados de 1996.
O pasto é formado por dois tipos de capins, o mombassa e o pioneiro. Os animais são divididos em piquetes, com períodos de seis meses de pastoreio. O segredo do bom pasto é muita dedicação. Nos períodos de descanso de cada piquete investimos numa boa adubação para o capim, resume.
Para isso, Micheti recorre aos serviços de análise de solos. Um laboratório faz a coleta uma vez por ano e determina as dosagens de minerais como fósforo e potássio, por exemplo. Pasto não pode ser tratado com desdém. Como qualquer lavoura, ele precisa de atenção, plantas e insumos de qualidade, orienta. A adubação ocorre, em média, a cada seis meses, sempre no início do período de chuvas.
Micheti, sempre que possível, tenta despertar outros colegas para importância de se adotar alternativas de pastagem. Não basta a rotina da ordenha. Trabalhar com a cana, por exemplo, é muito fácil e não exige equipamentos de última geração. Ela é de fácil manejo, já está pronta, é só colocar no pasto, salienta.


