Esgoto que faz produzir mais
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sábado, 13 de dezembro de 2008
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
O lodo resultante do tratamento de esgoto em estações da Sanepar tem sido uma alternativa importante para o aumento no rendimento de lavouras no Estado. Segundo cálculos de pesquisadores e extensionistas o uso do lodo permite um incremento entre 30% e 40% na produtividade agrícola, ao mesmo tempo em que contribui para a diminuição de problemas ambientais.
O processo de tratamento de esgoto nas estações da Sanepar gera um lodo, que tem diferentes destinações: pode ir para um aterro sanitário ou ser incinerado. Mas a matéria orgânica é rica em nutrientes e pode recuperar áreas degradadas ou substituir a correção química do solo.
A pesquisa sobre a utilização do lodo de esgoto na agricultura no Paraná começou no início da década de 1990, envolvendo várias instituições (ver matéria nesta edição). No Estado, sobretudo na região sul, já foram disponibilizadas mais de 100 mil toneladas que foram aplicadas em 200 propriedades.
O convênio entre Emater e Sanepar deve ampliar o uso da tecnologia para outras regiões. Em Londrina, por exemplo, a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) produziu 320 toneladas, que agora passam por análise. No laboratório, técnicos comprovam a qualidade do material e se os níveis de patógenos estão dentro dos padrões aceitáveis.
De acordo com Benno Henrique Weigert Doetzer, coordenador de Meio Ambiente da Emater no Paraná, o lodo reduz consideravelmente os custos com a fertilidade do solo. ''É possível ter uma economia entre R$ 300 e R$ 600 por hectare, dependendo do manejo e práticas culturais da propriedade'', diz.
Segundo ele, o produto pode substituir a correção com calcário e reduzir em até 50% a necessidade de fósforo e potássio, além dos benefícios da matéria orgânica para as culturas.
Para a utilização agrícola o lodo deve obedecer as normas e procedimentos operacionais da legislação, que atende parâmetros de sanidade adotados mundialmente para garantir a segurança da população. ''O lodo só pode ser usado se tiver até 0,25 ovos de helminthos viáveis por grama de produto, além de avaliar os níveis de metais pesados'', explica Doetzer.
O lodo gerado nas estações de tratamento passa por um processo de alcalinização prolongada, que é a adição de cal virgem na proporção de 50% do peso seco do lodo. Após 30 dias, o pH da mistura está acima de 12, condição que permite a redução dos patógenos. ''Nessa etapa, são retiradas amostras para análise e só então o material é disponibilizado para atender os agricultores.
A aplicação do lodo também segue alguns critérios. Segundo o técnico da Emater há restrições quanto à culturas. ''Não se pode utilizar em hortaliças e tubérculos, que ficam em contato direto com o solo'', explica. Grãos, café é frutíferas são as culturas mais indicadas.
Os benefícios do produto também dependem da avaliação do lodo - que tem características específicas de acordo com a região - e do solo onde vai ser aplicado. ''É preciso considerar as condições de fertilidade, pedregosidade, profundidade, relevo, suscetibilidade à erosão e o hidromorfismo (presença de lencol freático na região)'', diz.
Se a área for apta, é retirada uma amostra do solo para identificar necessidade e a quantidade de lodo, definidas de acordo com a cultura. Técnicos da Emater fazem o acompanhamento da aplicação e do desenvolvimento da lavoura e no final do ciclo nova análise é feita para a avaliação dos resultados.


