Esgoto limpo de agentes patogênicos
O pesquisador Antonio Pereira de Novaes, que é médico veterinário com atuação em saúde pública rural, aproveitou a experiência adquirida em trabalhos com biodigestores desde 1976 para resolver o ''problema de saneamento da roça''. ''Os vasos sanitários são ligados a um buraco que na realidade é um 'poço de doença'', diz ele referindo-se às fossas negras que, como ressalta, promovem grandes contaminações nos lençóis freáticos, afetando inclusive a água utilizada pelos moradores dos sítios e chácaras.
Pelo sistema da Embrapa Instrumentação Agropecuária, segundo o pesquisador, todo o esgoto dos vasos sanitários, exclusivamente, são desviados para caixas de coleta e fermentação e, depois de cerca de 25 dias, os efluentes podem ser liberados isentos de germes patogênicos. Este líquido pode ser aproveitado como adubo com elevado poder de fertilização nas culturas do próprio sítio. ''Quem não quiser utilizar como adubo pode depositá-lo sobre o solo sem ocorrência de mau cheiro'', garante Novaes.
O processo aproveita um conhecimento já estabelecido pela ciência de que na ausência de oxigênio a matéria orgânica rigorosamente se decompõe. Mas o grande segredo do sistema, segundo o pesquisador, é a ação das bactérias presentes na mistura com esterco bovino fresco diluído em água, que deve ser colocada na válvula de inspeção na entrada da primeira caixa de coleta. ''A flora microbiana bovina é capaz de digerir qualquer tipo de alimento. Assim, o efluente liberado é totalmente líquido. Nas caixas não se formam nem mesmo lodo''. A mistura é diluída na mesma proporção, ensina o pesquisador - 10 litros de água com 10 litros de esterco bovino -, e deve ser reposta a cada trinta dias. ''É a única manutenção exigida pelas fossas biodigestoras'', garante o inventor.
De baixo custo e de fácil instalação, o sistema básico exige três caixas de cimento amianto ou fibra de vidro (caixas d'água). ''É suficiente para atender uma família de cinco pessoas'', afirma o pesquisador. O ''inimigo'' do sistema, segundo ele é a válvula hidra que, devido à quantidade de água da descarga, reduz o tempo de retenção. Para este caso ou para famílias maiores, Novaes orienta acrescentar mais um reservatório ao conjunto.
O sistema foi criado no ano 2000 e já está instalado em praticamente todo o País. ''O sistema só não funciona bem em regiões de muito frio, pois as bactérias não 'trabalham direito'', explica, referindo-se ao processo de fermentação do esgoto. Ele reforça que as fossas biodigestoras são exclusivas para dejetos dos vasos sanitários. Águas com resíduos de sabão e detergente, pela ação germicida e bactericida, também não permitem a ação dos microorganismos. Ele orienta ainda para que seja evitado o uso de desinfetante que deve ser substituído por álcool (90º). (C.G.)





