Adelsio Semchechen, 32 anos, cultiva fumo há 10 anos. Assim como muitos produtores da região Centro-Sul, pensa em abandonar essa atividade e se dedicar apenas à produção de alimentos. ''Ainda é difícil porque preciso da renda do fumo, tenho dívidas e preciso continuar'', lamenta. Apesar disso, já começou a trilhar outros caminhos, paralelamente. Há um ano, deu início à produção de alimentos e tem sentido bons resultados.
''O bom de se cultivar alimentos é que a renda vem todo mês. No fumo, o dinheiro chega de uma única vez e, quase sempre, já está todo comprometido'', conta. ''Também é bom saber que estamos produzindo algo bom para as pessoas''. Para tentar outras alternativas agrícolas, entretanto, Semchechem tem procurado apoios. Ele conseguiu aderir ao Programa de Aquisição de Alimentos e tem feito cursos sobre produção orgânica.
O agricultor, casado e pai de duas crianças, comenta que só decidiu realmente que deveria sair do fumo, depois de passar por problemas de saúde. ''A gente já sofreu muito. O fumo é uma atividade muito pesada e como o dinheiro é pouco e a gente não tem como contratar ninguém para ajudar, precisa fazer tudo sozinho'', relata Lúcia, esposa de Semchechem, lembrando que precisou trabalhar mesmo quando estava grávida. ''Agora estamos buscando vida nova para nós e nossas crianças'', afirma. (E.Z.)

mockup