PrejuízoLavoura atingida pelo nematóide-de-cisto, que é disseminado rapidamente no soloA necessidade do esforço conjunto no controle do nematóide-de-cisto (Heterodera glycines) da soja foi uma das principais conclusões do 20º Congresso Brasileiro de Nematologia, realizado entre os dias 7 e 11 deste mês em Gramado, no Rio Grande do Sul.
A Embrapa-Soja já vem estabelecendo parcerias para combater esta importante praga, através do Programa Nacional de Prevenção e Controle do Nematóide-de-Cisto da Soja, do Ministério da Agricultura. Este programa prevê a formação em cada Estado de uma Comissão Executiva Estadual. No Paraná ela já está formada e congrega representantes da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Emater, Embrapa, Iapar, Codetec, Ministério da Agricultura e Apasem.
Segundo o pesquisador da Embrapa-Soja, Antônio Garcia, a dispersão do nematóide-de-cisto no Brasil está ocorrendo com muita rapidez. Foi detectado pela primeira vez em 92, quando se estimava uma área infestada de 10 mil hectares (ha). Em apenas quatro anos essa área evoluiu para aproximadamente 1 milhão e 700 mil ha no País, atualmente.
Nematóide-de-cisto adere às raízes da planta, prejudicando seu desenvolvimento
No ParanáNa safra 96/97 a Embrapa/Soja e a Seab iniciaram trabalho conjunto com o objetivo de elaborar e implementar o Plano Operacional de Prevenção e Controle do Nematóide-de-Cisto no Paraná. O objetivo é o monitoramento da disseminação da praga; a determinação do seu nível de dano econômico; a capacitação de recursos humanos para prevenção e controle, além da adequação e padronização de estrutura dos laboratórios que realizam análises nematológicas no Estado.
Segundo o agrônomo Eduardo Alves da Silva, do Departamento de Fiscalização da Seab, e membro da comissão, no Paraná existem apenas cinco laboratórios que fazem este tipo de análise.‘‘Além de serem poucos, não estão capacitados para realizar com agilidade os testes de identificação do nematóide’’, diz.
No Paraná, o nematóide foi detectado na safra 95/96 infestando áreas dos municípios de Sertaneja, Leópolis e Sertanópolis, todos situados na região Norte do Estado e próximos à divisa com São Paulo. ‘‘Nas lavouras infestadas, a alta fertilidade dos solos diminui os danos causados pelo nematóide, e neste caso torna-se fundamental que técnicos e agricultores não subestimem o problema’’, alerta Garcia.
Em solos paranaenses a potencialização dos prejuízos devidos ao nematóide está condicionada à associação de dois fatores principais: manejo químico, físico e biológico do solo inadequados e não-adoção de práticas culturais que impeçam o desenvolvimento populacional deste verme. O plano para combate no Paraná já está pronto, e aguardando liberação de recursos para ser implantado.
Disseminação no BrasilO nematóide-de-cisto já está presente em 65 municípios, em sete Estados brasileiros (MT,GO,MS,SP,MG,PR, e RS). No Mato Grosso existem duas grandes regiões infestadas: Campo Verde, com sete municípios atingidos, e Campo Novo dos Parecis, também com sete municípios. Mato Grosso foi uma das primeiras áreas atingidas no País e causou grandes prejuízos em 92. Atualmente os danos têm sido menores, em função da adoção de práticas agrícolas que permitem a convivência com o problema.
EmbrapaO produtor não confundir com o nematóide-de-galha, que é percebido mais facilmente
Em Goiás, as áreas infestadas situam-se no Sul do Estado, com cinco municípios afetados. No Mato Grosso do Sul existem seis municípios infestados, localizados ao Norte do Estado, e Minas Gerais é o Estado que apresenta a maior área infestada, com 24 municípios. O manejo inadequado do solo em grande parte da área, associado a veranicos frequentes durante a safra, tem determinado baixas produtividades e grandes prejuízos. Esta situação também é observada nas áreas infestadas do Sul de São Paulo. No Rio Grande do Sul o município atingido situa-se em área marginal para a soja.
ControleSegundo Antônio Garcia, a prevenção ainda deve ser a principal estratégia de controle: ‘‘É importante a conscientização dos produtores da necessidade de uma boa limpeza nos equipamentos agrícolas, evitando assim a contaminação da propriedade’’. O trânsito de máquinas, equipamentos e veículos tem sido o principal agente de dispersão do nematóide.
Garcia explica também que o produtor não deve confundir o nematóide-de-cisto com o nematóide-de-galha, que é mais comum no Paraná. O de galhas pode ser visto a olho nu e o de cisto é muito pequeno, do tamanho de uma cabeça de alfinete e mais difícil de ser identificado.
A rotação de culturas no verão nas áreas infestadas é recomendada pela pesquisa para reduzir o problema. O pesquisador salienta que a rotação deve ser no verão e não no inverno, com plantas não-hospedeiras como o milho, arroz, algodão e cana, para evitar que a população do verme aumente. ‘‘A safrinha não é suficiente para evitar a multiplicação’’, explica.
No Paraná a preocupação é fazer um trabalho forte de prevenção nas divisas de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Pelas condições de fertilidade do solo paranaense, os experimentos têm mostrado que a rotação em um ano já é suficiente para reduzir as populações, e voltar a produzir soja na próxima. No Cerrado há necessidade, às vezes, de dois anos de rotação.
O desenvolvimento de variedades resistentes é outra alternativa que a pesquisa está buscando. Até agora foi desenvolvida apenas uma cultivar resistente, adaptada para Minas Gerais, onde o problema é maior. ‘‘Planta resistente não é solução definitiva para o problema, porque não é possivel desenvolver uma cultivar resistente a todas as 16 raças do verme’’, explica Garcia.
Muitas linhagens estão sendo testadas na Embrapa-Soja, em Londrina; aproximadamente 45 mil linhagens são pesquisadas por ano. ‘‘Com variedades resistentes, possivelmente, o produtor poderá plantar soja dois anos seguidos, e depois plantar milho. Ou seja, mesmo com novas cultivares, o produtor terá que se preparar para fazer rotação nas áreas infestadas’’, finaliza Garcia.

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