Em um dado momento, os degustadores deixaram as raças participantes de lado para comparar a qualidade entre os cortes apresentados - filé do sete (a carne de segunda), o contra-filé e picanha. Iza Kley destacou a maciez e o sabor do filé do sete. ''Achei melhor do que o contra-filé, em quase todas as raças'', afirmou.
E se o sabor da carne de segunda não fez feio, as características nutricionais não perdem por nada. ''Não há diferenças de quantidade de proteínas entre um corte considerado de segunda e uma carne nobre'', defende a nutricionista Elaine Melo. ''Com relação ao ferro, é a mesma coisa. A carne é uma das mais importantes fontes deste nutriente, e qualquer corte vai oferecer a mesma porção'', destacou. ''A única preocupação do consumidor deve ser com a quantidade de gordura. Há cortes notadamente mais saudáveis por conterem menos gordura biodisponível, como lagarto e o músculo. Por isso, estas carnes devem ser as preferidas no consumo diário'', explica.
Cuidados com a saúde à parte, os degustadores conseguiram reforçar o que o senso comum vem transformando em verdade: a carne de segunda pode perfeitamente ser oferecida à mesa, com qualidade e sabor, desde que alguns cuidados, que vão desde a escolha do corte até a forma de preparo do churrasco, sejam tomados. ''Escolhendo um corte com uma boa capa de gordura, com uma cor neutra - nem muito vermelha, nem marrom - e com um bom marmoreio, vai ser muito difícil o consumidor errar'', explicou Gérsio Bonesi, do SIF.
Outros cuidados são recomendados por Otávio Rodrigues Alves, o chefe Taíco, responsável pela churrasqueira de onde saíram as carnes para a degustação. ''O ideal é que se mantenha o fogo alto, para evitar a perda de suco pela carne. E o consumidor deve saber que uma carne mais dura não vai poder ser servida bem-passada'', avisa. ''Bem feito como nos foi servida aqui, eu serviria tranquilamente o filé do sete para convidados na minha mesa'', brincou Iza Kley. (A.M.)

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