Escolha de touros começa agora
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de agosto de 2000
Cláudia Barberato De Londrina 
A oferta de machos para reprodução acontece o ano todo, mas é intensificada a partir do segundo semestre por causa da proximidade da estação de monta, que deve ser programada, segundo recomendação dos técnicos, a partir de outubro. De agosto para frente, além de comprar touros em propriedades, é maior a opção dos pecuaristas para compra em leilões por todo o Brasil.
O que saber para a escolha de um bom reprodutor? O pecuarista tem que estar atento para uma série de informações sobre o animal, porque disso, entre outros fatores, poderá vir o sucesso na produção de carne.
Uso das DepsPara encontrar essas informações, o mais indicado é comprar animais provados e selecionados, com Deps (Diferença Esperada na Progênie), um produto de análises estatísticas, com base nos dados coletados a campo sobre o desempenho dos animais e a capacidade que terão de repassar suas boas características aos filhos.
No caso do nelore, por exemplo, a velocidade de ganho de peso é um dos itens mais importantes e as informações podem ser conseguidas através das Deps. É importante também verificar o perímetro escrotal do animal, para avaliar sua habilidade reprodutiva, avisa o veterinário Alexandre Kireeff, de Londrina. Kireef é também criador de nelore e produtor de touros, numa oferta que beira os 400 animais por ano.
Outras exigênciasO pecuarista que vai adquirir bons animais para reprodução, lembra o veterinário, deverá ter cuidado também com as condições de manejo alimentar, sanitário e mineralização dos reprodutores que serão colocados na monta.
Não adianta comprar um bom reprodutor e não lhe dar condições mínimas para trabalhar, já que durante a estação de monta, principalmente no início, as pastagens ainda não estarão em condições muito favoráveis, adverte.
Sem seleçãoHoje grande parte dos touros usados nas estações de monta são retirados do que se chama ponta da boiada. Esses animais não são selecionados ou provados, o que representa um atraso para a pecuária de corte , avalia Kireeff.
Segundo dados do Programa de Melhoramento Genético da Raça Nelore, da USP de Ribeirão Preto (SP), o ganho genético do uso de animais provados através de Deps é 1,5 quilo/ano. Isso representa, em 15 anos, ganho de uma arroba por animal. De ganho real, por exemplo, pode-se conseguir uma diferença de 8 quilos mais em peso ao desmame nos filhos de animais provados. Os ganhos genéticos obtidos são cumulativos e permanentes tanto nos aspectos reprodutivos quanto no ganho de peso e capacidade de produção leiteira.
Escolha dos animaisA escolha dos animais depende também do objetivo e sistema de produção. Existem determinadas condições, garante o veterinário Alexandre Kireef, em que as raças européias são indicadas e, em outras, em que só as zebuínas podem obter bons resultados.
O início da vida reprodutiva de um macho vai depender da raça e das condições em que esse animal foi criado. Segundo Kireeff, no caso do nelore, a maioria dos machos estão aptos para a reprodução a partir dos 18 meses. Um bom reprodutor tem que cobrir de 30 a 80 vacas. A oscilação do número de fêmeas a cobrir depende da libido do animal e também das condições ambientais onde ele vive.
Necessidade é maiorDe acordo com dados do Anualpec 99, editado pela FNP Consultoria & Comércio, de São Paulo, a necessidade anual de touros só para reposição no Brasil é de aproximadamente 300 mil. O número de vacas controladas, somando todos os programas de melhoramento oficiais e independentes, é da mesma ordem.
Para suprir parte da demanda por touros, segundo a publicação, seria preciso estar controlando a produção de cerca de três milhões de vacas, dez vezes mais do que o número atual. A oferta anual de touros geneticamente comprovados, para substituir os animais que estão deixando a idade reprodutiva, a serem ofertados em leilões e vendas particulares, não vai além de 10 mil, o que é bem abaixo da demanda.
De 100 animais nascidos e controlados a metade é constituída de fêmeas. Metade dos 50 bezerros desmamados deverá ser descartada com base no relatório do desmame. Dos 25 avaliados na fase pós-desmame, a metade terá que ser destinada ao abate. Depois disso, é a vez de avaliar a libido, aptidão reprodutiva e outras características funcionais. Com certeza, se o trabalho for bem feito, não sobrarão mais de 10 animais para 100 desmamados e com dados completos.


