Consumidor vai continuar a pagar mais pelo arroz. O preço do produto empacotado no mercado este ano, segundo analistas e cerealistas, teve uma alta de quase 60% em relação ao ano passado. A culpa, segundo o empresário David Ramos de Menezes, dono de uma cerealista em Apucarana, é da falta do estoque regulador do Governo Federal.
Menezes diz que no final de 2002 o governo FHC zerou todo o estoque de arroz disponível no País. Assim, o atual governo ficou sem o produto para promover o equilíbrio de preços comum no período de entressafra.
Este ano, porém, o preço do arroz não teve significativas reações de queda nem mesmo durante a safra, cujo pico fica entre março e abril. De acordo com o técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado do Paraná (Seab), Richardson de Souza, a redução de preços de aproximadamente 10% e por um período muito curto.
O reajuste no arroz em saca do arroz foi um pouco menor, 40%. Menezes explica que a diferença ocorre porque no produto que vai para o supermercado são acrescidos custos de frete, embalagem, e da manutenção do maquinário das empacotadoras. ''A maioria do equipamento utiliza peças derivadas do petróleo, como borracha, por exemplo''.
O empresário destaca que no ano passado problemas climáticos atrasaram o plantio no Rio Grande do Sul, reponsável por cerca de 47% da produção nacional (5,5 milhões de toneladas). Com isso, completa o técnico do Deral, houve uma quebra na produtividade de mais de 700 mil t.
''O arroz está na mão do gaúcho'', ilustra o cerealista Menezes, referindo-se ao poder dos agricultores do sul em segurar o produto no mercado favorecendo a manutenção dos preços elevados. Souza, do Deral, prefere interpretar a ação como um reflexo de produtores capitalizados e com condições de manter uma distribuição escalonada do arroz.
Souza lembra ainda que a produção nacional não atende a demanda. O consumo está na ordem de 12 milhões de toneladas, na safra passada foram colhidas 10,3 milhões t e a expectativa para o ano que vem é de 11.560 milhões de t. Na avaliação de Menezes, o governo vai ter dificuldades na reposição do estoque regulador. Pois, para atender a demanda, o déficit de produção, apesar de pequeno, já provoca a importação de produtos especialmente do Uruguai e dos Estados Unidos.
O cerealista diz ainda que o Brasil recebe também arroz de países asiáticos como o Vietnã e a Tailândia. Na semana passada a notícia do desembarque de arroz do Vietnã, segundo ele, teria provocado uma leve queda no preço. O produto não veio e o arroz voltou a subir. ''A entrega agora está prevista para novembro, mas não acredito em grandes interferência nos preços.
Mas o arroz vindo especialmente da Tailândia, de acordo com o empresário, não tem boa aceitação pelo baixo padrão de qualidade, beneficiamento e conservação. ''Esse arroz é misturado e resulta no produto tipo 2'', explica. Ele destaca ainda que esse tipo de produto tem uma parcela muito pequena de compradores no Paraná.
Os bons preços, de acordo com o técnico Souza, não servem de estímulo ao aumento do cultivo no País porque não há áreas disponíveis para expansão. ''Em terras mais produtivas a soja lidera o cultivo''. No Paraná, Richard de Souza diz que a produção do arroz é ''insignificante''.
A área plantada de arroz no sequeiro é de 53,5 mil hectares. Já o arroz irrigado ocupa apenas 16,5 mil ha. As área comerciais trabalham com irrigação e ficam no Noroeste do Estado. A maior parte consiste em agricultura de subsistência, com a comercialização regional das sobras.

mockup