Escassez de milho põe avicultura em alerta
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sábado, 08 de dezembro de 2007
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
Manter um canal de relacionamento com negociadores internacionais para equilibrar o negócio do milho; centralizar a compra do cereal para a produção paranaense e acelerar o projeto para verticalizar a produção de aves no estado, transformando o produtor de milho em integrado às indústrias avícolas. Estas são as três ações estratégicas defendidas pelo Sindicato das Indústrias dos Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar) para garantir o fornecimento do milho, mesmo em tempos de escassez do produto, como a que o mercado enfrenta atualmente.
A proposta foi apresentada na semana passada aos integrantes da cadeia durante um evento técnico realizado em Maringá. O presidente do sindicato, Domingos Martins, destacou a ''escalada'' do milho no mercado internacional este ano, que se intensificou a partir de agosto, abalando toda a cadeia produtiva de carnes do País. O milho é o principal produto utilizado na produção de ração animal. ''Em 2006 as exportações paranaenses de milho ficaram em torno de 4 milhões de toneladas e este ano devem superar 11 milhões'', afirma.
''Temos que garantir a atividade'', reforça Martins, destacando o bom momento que a avicultura de corte do Paraná vem alcançando. Um levantamento do Sindiavipar mostra que hoje o estado responde por 26,55% das vendas externas do frango produzido no Brasil. No acumulado janeiro-outubro deste ano, o estado já exportou mais de 698 milhões de quilos da ave, desempenho 13,05% superior ao mesmo período do ano passado, quando as exportações da ave atingiram 618 milhões de quilos. O estado mantém, desde 2000, a liderança nacional no abate de frangos. Até o mês de outubro foram abatidas aqui 922.476.501 cabeças.
A proposta de integração, segundo Domingos Martins, criaria um canal direto para a comercialização do milho, trazendo vantagens ao produtor. ''O setor avícola fica com o milho, ao preço vigente no mercado e repassando ainda um bônus extra de R$ 1,00 por saca do produto'', explicou. Nessa centralização da compra do milho, o Sindiavipar espera o apoio das cooperativas do Estado. O setor poderia contar ainda com a produção de variedades que atendessem às exigências da avicultura de corte, com um grão mais duro.
Em meados de novembro, durante uma reunião do Sindiaviapar com representantes dos cinco principais estados produtores (Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais), o setor entrou em ''sinal de alerta''. ''Decidimos reduzir em até 30% a produção de matrizes de frango de corte, até que tenhamos estimativa da produção de verão de milho'', informa o presidente do sindicato.
O sinal de alerta, como destaca Martins, não deve ser entendido com temor pelos produtores parceiros. ''Não há risco para a atividade, afinal estamos na melhor fase da produção do estado. Nossa estimativa é de um crescimento ainda maior'' garante.


