Escassez de mão de obra prejudica agricultura
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sexta-feira, 10 de outubro de 2014
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
A valorização do agronegócio brasileiro, com ótimo preço médio das commodities, exportação em alta de alguns segmentos e a grande representatividade no Produto Interno Bruto (PIB) nacional apontam para uma rentabilidade efetiva no meio rural nos últimos anos. Por outro lado, uma preocupação dos produtores vem se arrastando e se tornou praticamente insustentável: não há mão de obra para trabalhar nas propriedades rurais.
Nem os melhores salários e a capacitação contínua dos trabalhadores rurais para operar máquinas e equipamentos agrícolas tem segurado as famílias no campo. Os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2013, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no mês passado, apontam para um caminho sem volta.
Se em 2002 eram 16,3 milhões de pessoas trabalhando no campo em todo o território nacional, no ano passado esse número sofreu retração de 14,2%, para 13,9 milhões de brasileiros atuando na atividade agrícola. De 2012 para 2013, houve um pequeno fôlego para o segmento, com incremento de 1,45%. Já no Paraná, a queda é contínua desde 2003: uma incrível diminuição de 1,1 milhão de pessoas para 674 mil pessoas atuantes no meio rural, algo em torno de 40%.
O professor de economia rural da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Eugênio Stefanelo explica que essa é uma tendência natural e sem volta, que já aconteceu em todos os países desenvolvidos. "Em países como os Estados Unidos, a população rural é menor do que 4%. Antes, a atividade agropecuária brasileira era uma das maiores absorvedoras de mão de obra, agora esse papel está com a atividade de serviços (46%, segundo Pnad), inclusive conquistando trabalhadores da indústria e da agroindústria", explica Stefanelo.
Outro ponto, segundo o especialista, é que a mecanização no campo, além de diminuir o número de vagas de trabalho, também força os trabalhadores a se capacitarem para a execução de tarefas que antigamente eram consideradas simples, como operar um trator, por exemplo. "Tudo agora é mecanizado, colheita de cana, café... Conversando com produtores, principalmente do interior do Estado, a reclamação é a mesma: não há mão de obra para esses trabalhos. Mesmo o salário aumentando no meio rural, ninguém quer permanecer, buscando trabalhos não braçais na cidade, o que explica o crescimento de trabalhadores no setor de serviços. Outro ponto são as políticas assistencialistas, que fazem com que os indivíduos não busquem empregos formais."
E o movimento não está restrito ao primeiro setor (lavoura e pecuária), mas também na agroindústria. O professor relembra um levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. Em 1995, a atividade agropecuária (dentro da porteira) representava 24% do PIB do agronegócio, enquanto em 2013 saltou para 29%. Já a agroindústria, no mesmo período, teve o percentual retraído de 35% para 28%. "Essa retração nos rendimentos da agroindústria no PIB nacional também pode explicar, de certa forma, esse movimento de diminuição do pessoal trabalhando dentro do agronegócio."
Com um cenário praticamente nebuloso, a solução, portanto, é a mecanização, não só da lavoura e pecuária, mas também da agroindústria. "Temos as indústrias de frango e suíno aqui do Estado, por exemplo, que não conseguem fechar o quadro de funcionários que necessitam para uma produção efetiva", complementa Stefanelo.



