Erosão: Paraná em alerta
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sexta-feira, 17 de agosto de 2018
Reportagem Local 

A partir da década de 1970, o Paraná conseguiu reduzir a erosão com a adoção do sistema de Plantio Direto (SPD). Essa tecnologia, quando adotada corretamente, é capaz de reduzir em 95% as perdas de água e solo por erosão, comparada ao sistema de preparo convencional com arados e grades, de acordo com dados da Embrapa Soja. No entanto, o uso inadequado ou parcial do sistema no Estado, principalmente no que se refere à insuficiente produção de palha e de raízes pela adoção de sistemas pouco diversificados de produção (basicamente, sucessões de trigo/soja e milho 2ª safra/soja) tem favorecido os processos erosivos. "O problema, que por um tempo havia sido equacionado no Estado, tornando-o exemplo positivo para o Brasil e o mundo, está de volta e, nestes últimos quatro anos, contabilizamos perdas expressivas de água e de solo", informa o pesquisador Henrique Debiasi.
Ao avaliar o desempenho do manejo do solo e da água em propriedades agrícolas localizadas em microbacias do Paraná, nos últimos quatro anos (de 2014 a 2018), os pesquisadores da Embrapa, em parceria com equipes do Instituto Agronômico do Paraná, da Universidade Estadual de Londrina e da Itaipu Binacional, identificaram que a frequência de problemas com a erosão vem aumentando a cada ano no Paraná, inclusive com a ocorrência de voçorocas e a formação de sulcos no solo.
Eventos extremos como as chuvas excessivas, ocorridas em outubro de 2017, na microbacia de Toledo (Oeste), também explicam parte do crescimento da erosão no Estado. "Apesar do volume de água ser o mesmo de anos anteriores, a concentração das chuvas tem aumentando, o que contribui para intensificar a erosão. Entretanto, o problema pode ser minimizado com a adoção de medidas que favoreçam a conservação do solo", explica Debiasi.
A pesquisa para avaliar as propriedades agrícolas em quatro microbacias hidrográficas do Norte e Oeste do Paraná (uma em Rolândia, uma em Cambé e duas em Toledo) foi iniciada em 2014. A iniciativa compõe a rede de pesquisa SoloVivo, liderada pela Embrapa Solos, e reúne pesquisadores de mais de 20 instituições. A rede de pesquisa está acompanhando 12 bacias hidrográficas em cinco Estados (GO, MS, PR, RS e SP).
MANEJO DO SOLO
A qualidade do manejo do solo no Paraná tem piorado, principalmente pela consolidação dos efeitos negativos da sucessão trigo-soja ou milho 2ª safra-soja e consequentemente pela redução da diversificação de culturas. Para o pesquisador Júlio Franchini, a consorciação de milho com braquiária é o primeiro passo para minimizar os efeitos da compactação, por exemplo, que é redução do volume de solo por compressão. "A compactação prejudica a infiltração de água no solo e amplia a resistência para o crescimento das raízes", explica Franchini.
Dados da Embrapa, da Emater e da cooperativa Cocamar demonstraram que áreas do Paraná cultivadas há vários anos com a sucessão milho 2ª safra-soja apresentaram, em média, 20 milímetros/hora de infiltração de água. Por outro lado, áreas cultivadas com milho consorciado com braquiária resultarem em valor de infiltração 6,5 vezes maior, equivalente a 130 milímetros/hora. "Ao introduzir a braquiária no sistema produtivo, há aumento de palhada na superfície do solo e as raízes da braquiária funcionam como descompactadoras do solo, o que melhora a infiltração de água", destaca o pesquisador.
TERRACEAMENTO
Entre as causas de degradação física do solo, está o aumento do tamanho das máquinas e o tráfego intenso no campo, promovendo compactação e trazendo outras consequências. O tamanho das máquinas agrícolas, cada vez maiores, também tem interferido no sistema produtivo, com impacto negativo às práticas conservacionistas. Entre elas estão, o rebaixamento dos terraços, a falta de manutenção e intensificação da adoção do plantio morro abaixo, em detrimento do cultivo em nível.


