Erosão engole soja no arenito
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sábado, 20 de dezembro de 2003
Reportagem Local 
Em plantio convencional o solo não resistiu a força da enxurrada das últimas chuvas na região do arenito. A soja germinada foi carregada ou soterrada. Para aquela região, a pesquisa recomenda sistema de plantio direto (PD), mesmo assim deve ser feita a rotação de culturas e adotados outros cuidados para evitar a erosão e a degradação.
No entanto, ainda há produtores plantando soja pelo sistema antigo, convencional, em que o preparo do solo é feito com trator. A consequência é perda da camada superficial do solo, onde estão os nutrientes, perda de sementes, mão-de-obra, enfim uma somatória de prejuízos.
A enxurrada, em preparo de terra convencional, proporcionou cenas como as de 30 anos atrás, quando a conservação do solo era precária e os agricultores desconheciam o sistema de plantio direto (PD).
A Cocamar estima que há municípios onde 25% das áreas com soja foram plantadas pelo sistema convencional.
A assessoria da Cocamar confirmou esta semana que no Noroeste do Estado, ''em especial na região de arenito, muitos agricultores que fizeram o plantio em solo desprotegido e em época errada, contrariando a orientação dos técnicos, estão agora vendo as lavouras, literalmente, ir por água abaixo''.
Em Umuarama e municípios próximos, segundo a Cocamar, pelo menos 25% dos produtores fizeram plantio convencional nesta safra, ou seja, utilizaram arado e grade para preparar a terra, que ficou descoberta e vulnerável às enxurradas.
Desses, cerca de 30% estão tendo lavouras prejudicadas pelas fortes chuvas. Em muitas propriedades, os grandes volumes de água arrastam plantas, nutrientes e a camada superficial do solo, arrebentam curvas de nível e provocam erosão.
De acordo com o engenheiro agrônomo Paulo Coelho, da Cocamar/Umuarama, pelo menos 1.000 ha de soja dos 15.000 atendidos pela cooperativa no município e região, foram danificados.
O engenheiro agrônomo Antonio Sacoman, coordenador técnico de grãos e arenito da Cocamar, disse que nesta safra, em função da intensidade das chuvas, quem improvisou está sendo mais prejudicado. Entre os que tiveram maiores prejuízos estão arrendatários cujas terras foram liberadas pelos donos apenas no segundo semestre e não tiveram tempo suficiente para providenciar a proteção do solo antes do plantio, ocorrido nos meses de outubro e novembro.


