Erosão custa U$ 212 milhões por ano no Paraná
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sexta-feira, 14 de abril de 2017
Reportagem Local 

Neste Dia Nacional da Conservação do Solo, 15 de abril, especialistas da Ciência do Solo alertam sobre a degradação do solo e dos recursos naturais, que encontram-se em estágio avançado em algumas áreas do Brasil. No Paraná, 30% dos cerca de seis milhões de hectares cultivados necessitam recuperar ou implantar práticas conservacionistas.
De acordo com o diretor do Núcleo Paranaense da Ciência do Solo, pesquisador do Iapar, Arnaldo Colozzi, o custo da erosão em terras agrícolas no Estado é da ordem de U$ 212 milhões por ano. "Tecnologias conservacionistas como o plantio direto na palha, que hoje é praticado em mais de 80% das áreas cultivadas com grãos no Brasil e que, num passado recente conseguiram frear processos erosivos acentuados, por simplificação ou uso inadequado não têm tido efetividade suficiente para controlar processos erosivos, que têm sido recorrentes no Paraná e na maioria dos estados brasileiros", afirma ele.
Embora tenha sido pioneiro no Sistema de Plantio Direto na década de 1970, vem se registrando no Paraná, nos últimos anos, o abandono das práticas conservacionistas tradicionalmente recomendadas, que além do plantio direto incluem o terraceamento, o cultivo em nível, a rotação de culturas entre outras. Segundo Colozzi, para tentar reverter o uso inadequado do solo, existem recomendações das instituições de pesquisa para manutenção do terraceamento em Sistema de Plantio Direto. O pesquisador destaca também o Prosolo Paraná, que é um programa que integra todos os demais programas governamentais já existentes voltados à conservação do solo e da água, lançado no final do ano passado, e que visa capacitar técnicos, promover ações de divulgação e conscientização sobre conservação do solo; apoiar a pesquisa e estimular agricultores para a retomada das práticas conservacionistas .
Estimativas dos últimos dois anos mostram que as perdas anuais de solo no território brasileiro atingem valores da ordem de 500 milhões de toneladas de terra e cerca de 8 milhões de toneladas de nitrogênio, fósforo e potássio, nutrientes fornecidos às lavouras para aumento de produção. "Essas perdas têm impacto direto na economia, em razão do maior custo dos alimentos, uma vez que os nutrientes perdidos precisam ser repostos ao solo para manutenção da produtividade das lavouras. Além disso, existem também os custos ambientais, que apesar de difíceis de serem quantificados, podem ser facilmente visíveis pela contaminação de corpos de água com sedimentos e nutrientes, com mudanças na fertilidade dos solos e influenciando os organismos que neles vivem", pontua Colozzi.
SOLO COBERTO O ANO TODO
As boas práticas agrícolas já são realidade na propriedade de Cláudio Aparecido Alves, que cultiva soja, milho e trigo em 200 hectares, na região do Distrito de Maravilha, zona sul de Londrina. Reconhecendo a importância da agricultura sustentável, ele passou a fazer o plantio do milho safrinha com braquiária, o que trouxe resultados excelentes para o solo, que se mantém coberto o ano todo com a palha.
Colhendo uma média de 145 sacas por alqueire, Cláudio Alves, lembra dos tempos em que após a colheita de trigo, o produtor colocava fogo para queimar a palha. "Hoje fazemos de tudo pra ter palha na lavoura", recorda ele, acrescentando que atualmente existe a preocupação de aumentar a produtividade das áreas em que atua e ao mesmo tempo trabalhar de forma que o solo possa continuar produzindo ao longo de séculos.
O solo necessita de pelo menos 3,5% de matéria orgânica para não surgir problemas de compactação. "O plantio da braquiária em consórcio com o milho promove cobertura e proteção do solo e ainda melhora o controle de plantas invasoras", diz o agricultor.


