A idéia surgiu em novembro do ano passado, quando os irmãos Valdemir e José Roberto Batista iniciaram a pulverização para controle de pragas e doenças na lavoura de café. A propriedade, Sítio Três Irmãos, tem 12 hectares e fica próxima de Nova Fátima, no Norte do Paraná. ‘‘Além de matar a praga, eu estava morrendo devagar’’, conta Valdemir, que procurava uma alternativa para fugir da contaminação do veneno que seria aplicado no cafezal. Ele já tem problemas de saúde devido à exposição ao veneno no café e no algodão.
O aplicador não fica exposto às folhas molhadas com o veneno, pois o jato é direcionado para trásO objetivo do invento, além de se proteger do veneno, segundo o produtor, foi também reduzir os custos de produção do controle de pragas e doenças, que feito com o pulverizador costal comum não tinha agilidade e nem rendimento.
Segundo Valdecir e José Roberto, o equipamento, além de proteger a saúde do aplicador, proporciona economia de 60% a 70% no custo total de controle de pragas. ‘‘Eu aplicava em duas ruas de café e tinha que voltar para casa, para tomar banho. A mulher reclamava do cheiro do veneno e quando eu suava já sentia o cheiro do produto.’’
Simples e práticoValdemir e José Roberto batizaram o invento como ‘‘kit para pulverização costal’’.‘‘Foi só colocar a haste que é acoplada no pulverizador costal direcionando a saída do veneno para trás’’, simplifica Valdemir.
O equipamento é formado por uma porca que acopla a haste ao pulverizador, haste de pulverização e bico, conectados ao pulverizador costal que ‘‘todo produtor já tem na propridade’’. Pode ser usado para controle de pragas nas culturas do café adensado, algodão, uva, olericultura e outras atividades do meio rural.
As vantagens, segundo o agrônomo da Emater-Regional de Cornélio Procópio, Cilésio Dalmoner, são muitas: evita intoxicação do operador, pois não há nenhum contato com o produto; proporciona maior rendimento da aplicação; maior eficiência do controle; e custo mais baixo para o pequeno produtor, pois dispensa o uso de granulados via solo no café adensado.
‘‘O uso dos equipamentos tradicionais, sem o kit, em café adensado, traz um risco de intoxicação’’, avalia o técnico. ‘‘O operador fica em contato direto com o produto; há dificuldade de aplicação em plantio adensado, e deficiência na aplicação do controle de pragas e doenças’’, completa.
Controle de pragas deverá colaborar para maior produtividade este ano. Valdemir está satisfeitoMedidas de segurançaAlém do uso do kit, outro meio de se proteger, no momento da pulverização, lembra o técnico, é usar roupa adequada, botas e máscara. Hoje em dia, segundo ele, tem produtor que não usa nada, nem o básico, e acaba ficando molhado de tanto veneno na hora da aplicação. ‘‘O reflexo disso virá mais tarde’’, avisa.
O equipamento costal tradicional, de acordo com o agrônomo, colabora para o contato maior com o veneno, já que o jato de pulverização fica na frente do aplicador. ‘‘O vento joga veneno no rosto do aplicador e, ao andar para frente, para fazer a aplicação do produto, fica exposto ao contato com as folhas molhadas (de veneno) do café. Uma saída seria andar para trás, mas é incômodo e perigoso para quem está aplicando’’, avalia.
Controle eficienteO controle de pragas e doenças do café na região de Cornélio, segundo o agrônomo da Emater, tem sido problemático. ‘‘Muitos produtores até desistem de controlar a broca, por exemplo, que demanda aplicação foliar, para evitar muito contato com o veneno’’, explica Dalmoner. Já o uso do granulado, para outras pragas e doenças, muitas vezes fica inviável por causa do preço.
Cesar AugustoValdemir Batista e Dalmoner comparam equipamento com kit e o convencional. ‘‘Maior proteção e eficiência.’’O controle de pragas e doenças do café pode ser feito com produtos granulados, aplicados no solo com menor risco de contaminação para quem usa o produto, ou via foliar. Para a broca, por exemplo, só é possível o uso de produto via foliar. O equipamento tradicional de pulverização acaba contaminando o aplicador. Além de reduzir produtividade, o ataque da broca, segundo o agrônomo da Emater, pode determinar defeitos na qualidade da bebida.
O controle de broca, por exemplo, segundo Cilésio, tem sido feito, muitas vezes, de maneira preventiva pelo produtor, o que é um erro. ‘‘Antes de sair aplicando veneno, o produtor deve fazer uma análise da incidência da broca na lavoura. Somente depois de um nível de 5% de infestação é que deverá ser aplicado o veneno e, ainda sim, usando a alternativa do pulverizador costal inventando pelos irmãos Batista’’.
No controle de pragas e doenças do café o uso dos produtos foliares reduz os custos de produção. Embora sejam eficientes, os produtos granulados são mais caros do que os via foliar. Durante anos, segundo o agrônomo, muito cafeicultor optou pelo uso dos granulados, para evitar o contato com veneno, enquanto poderia usar via foliar.
O uso de equipamento, a exemplo do kit inventado pelos irmãos Batista, segundo o agrônomo, tem reflexo direto no custo da lavoura. A eficiência de controle é maior e o rendimento também. ‘‘O equipamento beneficia principalmente o pequeno produtor. O grande produtor se vira, tem pulverizador canhão e, mesmo assim, nesse caso é preciso trabalhar com a máquina de ré, para evitar contato com o veneno, o que dá mais mão-de-obra.’’
Procura de parceriasPor enquanto o equipamento ainda não está disponível para comercialização, mas os irmãos Batista já entraram em contato com uma empresa de Cornélio Procópio que deverá viabilizar a venda do kit. ‘‘A idéia é se aliar a uma empresa de inseticidas, para trabalhar em conjunto’’, explica Luiz Carlos Aleixo, da empresa que faz fabricação de equipamentos agrícolas.
Segundo Valdecir Batista, uma empresa de máquinas agrícolas do interior de São Paulo já tem um equipamento costal semelhante para a cultura do fumo. Para o café ele não tem conhecimento de outro equipamento no mercado.
O café adensado cultivado no Sítio dos Três Irmãos já está na terceira colheita. No ano passado o rendimento chegou a 85 sacas de café beneficiado por hectare. Este ano a previsão é de obter 120 sacas beneficiadas por hectare, em função de melhor controle de pragas e doenças, além da produtividade esperada do café em terceiro ano de colheita.
O aumento de área do café adensado na região de Cornélio Procópio, que engloba 23 municípios, na opinião do agrônomo da Emater, proporcionou a viabilização de muitas das pequenas propriedades da região.

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