Quarenta anos atrás, as máquinas eram menores e os motores menos potentes. E tinham capacidade para colher entre 200 e 300 sacas/dia. Hoje, equipadas com moderna tecnologia, elas são capazes de chegar a quase cinco mil sacas/dia. Mas não é só isso. O nível de automação desses equipamentos permite que, num simples toque, o operador controle qualquer operação - do plantio até a colheita.
Esse comando fica dentro de uma cabine com ar condicionado e assentos com suspensão pneumática, o que também colabora para maior rendimento por hora trabalhada.
Da força física para guiar um antigo trator até a habilidade para saber os botões certos, o salto tecnológico é um retrato do potencial que o País desenvolve como grande produtor de alimentos.
Computadores de bordo indicam se a velocidade está adequada e quanto se está colhendo. As barras de corte se ajustam automaticamente à altura das plantas.
O que falta mais? Só falar, responde Darci Gizéria, da engenharia de vendas da John Deere, empresa gaúcha de máquinas agrícolas.
Tecnologias disponíveis nos equipamentos agrícolas, especialmente tratores e colheitadeiras munidos de computadores de bordo e outros componentes eletrônicos hoje capazes de medir a eficiência de cada operação feita no campo, indicam o ''melhor'' caminho para onde deve ir a agricultura brasileira, avalia Gizéria.
Máquinas mais leves ou de melhor torque, motores mais potentes, menor consumo de combustível. A expansão da agricultura para grandes áreas levou ao desenvolvimento de implementos mais sofisticados, tratores mais leves, motores mais potentes, numa combinação de fatores que proporciona maior produtividade, completa Arci Mendes, gerente da Agco, empresa que detém a marca Massey Fergunson.
Tanta tecnologia ainda não chegou ao limite. O próximo passo pode ser a telemetria, condição para o agricultor, do seu escritório, acompanhar o equipamento andando no campo.
Áreas menores - Em áreas de menor porte, como no Paraná, a adesão às tecnologias também é viável. Segundo Arci Mendes, em áreas de 200 a 300 ha, o agricultor que faz um cultivo diferenciado do convencional, como soja orgânica, pode viabilizar o uso de computadores de bordo para aumentar a eficiência de suas operações no campo. O diferencial que ele recebe pelo produto, mais a eficiência que consegue pelo uso da tecnologia, são suficientes para, por exemplo, em um ano pagar o investimento com o sistema computadorizado, peça chave da chamada agricultura de precisão.
O retrato de toda essa tecnologia aplicada nos últimos anos pela indústria de máquinas agrícolas pôde ser visto nos estandes e nas mostras dinâmicas realizadas na Agrishow Ribeirão - Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação, realizada na semana passada em Ribeirão Preto (SP). De encher os olhos, essas máquinas imponentes, estáticas ou em movimento, faltam mesmo só falar.
Do motor potente dos tratores, passando pelos sistemas de colheita e separação, até chegar a cabine fechada com ar condicionado, que comanda todas as operações, pode-se afirmar que as indústrias estão investindo pesado na agricultura de precisão, uma maneira de tentar cercar pontos negativos e corrigir falhas na produção de alimentos.
Das antigas máquinas ficou apenas a saudade que pode ser amenizada no Museu Agromem de Máquinas Agrícolas, instalado em Orlândia (SP), a poucos quilômetros de Ribeirão Preto. O local, contraste com a feira, conta um pouco da história da agricultura brasileira ao expor máquinas usadas no século passado.
Há pouco mais de 20 anos arados e grades, equipamentos que fizeram grandes estragos ao solo, ocupavam as terras agricultáveis do Brasil. Depois vieram os subsoladores e escarificadores, equipamentos desenvolvidos para consertar os estragos e reduzir a compactação. A seguir surgiram as máquinas de plantio direto e, hoje, a agricultura de precisão.
Atualmente a indústria de máquinas e equipamentos movimenta-se pela fabricação de produtos especialmente direcionados. São máquinas de última geração nos quais é privilegiada a eletrônica, os sistemas computadorizados e a monitoração por mecanismos.



O agrônomo Marcos Arbex, da New Holland, ensina como deve ser feito o cálculo de rendimento de uma colheitadeira de 220 a 230 cc, modelos mais procurados atualmente para trabalho em grandes áreas. A conta é pegar a largura da plataforma que é em média de sete metros e multiplicar pela velocidade da colheita - que deve ser de 7 km/hora. O resultado bruto será de 4.9 ha/hora. Considerando manobras, descargas e outros procedimentos, o rendimento deverá ficar em 20% deste resultado ou em 4.1 ha/hora

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