Clima e situação financeira do consumidor têm influenciado o consumo e, consequentemente, o valor pago pela matéria-prima. O frio que ainda não veio, o que seria normal neste período do ano para alavancar as vendas de lácteos, reduz consumo. Outro fator que colabora é o baixo poder aquisitivo da população que acaba ''cortando'' os lácteos da dieta diária. Menor consumo, menor demanda, preços menores. E isso não é uma particularidade do leite. Outros setores também demonstram dificuldades na liquidez de seus produtos.
Mesmo que a situação do produtor de leite não seja excelente neste momento, está bem melhor do que no ano passado, quando custos de produção chegaram a empatar ou ultrapassar o valor recebido na indústria, tirando gente da atividade e inviabilizando a produção da matéria-prima.
A queda do dólar ainda não refletiu no valor dos insumos, que subiram muito no ano passado (alguns até 60%), mas já serviu para amenizar os custos de produção. Daqui para frente, a tendência é trabalhar com certa estabilidade de preços.
No Paraná o produtor está recebendo uma média de R$ 0,45 a R$ 0,47 pelo litro de leite, valores que coincidem com o preço referência apresentado pelo Conselho Paritário do Leite (Conseleite) na última terça-feira, dia 17, em Curitiba.
Todo mês, desde janeiro deste ano, o Conseleite têm divulgado o preço referência do leite praticado no Estado. A formação do preço é feita com base em custos de produção e na comercialização de 14 produtos lácteos das empresas que participam do conselho. Com base nesse mix chega-se as três valores com cotação diferenciada para leite de melhor e menor padrão de qualidade.
Em maio, por exemplo, o preço referência oscilou de R$ 0,41 a R$ 0,52, dependendo da qualidade da matéria-prima entregue na indústria. Para junho a perspectiva é fechar o mês com valores entre R$ 0,42 a R$ 0,53. Segundo o presidente do Conseleite, Ronei Volpi, a pequena alta para junho é retrato do que aconteceu no mercado do dia 1º até o dia 12, período de levantamento de preços dos produtos lácteos para a projeção do valor de referência.
Ronei Volpi admite que há uma certa preocupação do setor com relação a retração de vendas dos lácteos nesse período. Mas, como representante da classe produtiva no Conseleite, Volpi tranquiliza o produtor, garantindo que o setor deve conviver nos próximos meses com estabilidade de preços. ''A situação ainda não é boa, mas está bem melhor do que era,'' diz, referindo-se a crise que o setor viveu nos últimos anos.
A curto prazo, de acordo com Volpi, o setor produtivo, agora em parceria com a indústria por meio do Conseleite, deverá melhorar seu poder de remuneração. A divulgação do preço referência, em comum acordo com a indústria, já foi um grande avanço, acredita. Hoje o produtor está mais informado, prova disso é a frequência desse segmento nas reuniões do Conseleite e na procura de informações sobre a atividade.
Durante a reunião do Conseleite na última terça-feira, por exemplo, entre representantes da produção e da indústria, 50 pessoas estiveram presentes, das quais quase 30 eram produtores. ''Eles participam cada vez mais das reuniões, principalmente para tirar dúvidas a respeito do setor,'' conta Volpi.
O interesse da indústria, garante Volpi, também tem crescido. Atualmente o Conseleite, que reúne 11 representantes de produtores e 11 de indústrias, estuda a adesão de 20 pequenos laticínios do Oeste do Paraná e de produtores filiados ao Sindileite de Santa Catarina. Minas Gerais, maior produtor nacional, já recebeu os técnicos do Conseleite Paraná para conhecer o trabalho e decidiu implantar o Conseleite Minas, seguindo os moldes do Paraná.
Interesse do produtor
O Conseleite tem um link dentro da página da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), onde é possível encontrar todas as informações sobre o funcionamento do conselho e consultar, todo mês, o resultado da reunião que determina o preço referência para o leite.
Segundo a assesoria de imprensa da Faep o site tem nove mil acessos por mês. Desde o início da divulgação do preço referência pelo Conseleite, em janeiro deste ano, os acessos ao link específico do conselho têm crescido numa projeção média de 15% todo mês. Em abril, por exemplo, foram 275 acessos específicos no Conseleite. No mês passado foram 313. Os produtores têm acesso a internet por meio das chamadas Sala do Produtor, instaladas em 150 escritórios de sindicatos rurais do Paraná.

mockup