O corretor Marcos Aurélio Bacceti, de Londrina, prefere ver com normalidade as variações no volume de safra de café. ''O cafeeiro tem a característica de produção bianual, que já é do conhecimento de toda a cadeia''. Mesmo assim o País tem conseguido manter um equilíbrio na oferta para o mercado externo. Ele concorda que a produção poderia ser maior já que a cultura está presente de ''norte a sul do País'', mas ressalta que há investimentos e tecnologia disponíveis para isso.
A maior preocupação do corretor londrinense é com a diminuição dos estoques reguladores do País que, como estima, deve estar em 2,6 milhões de sacas. ''O volume histórico do estoque oficial era de 10 milhões/sacas'', lembra. Esse produto, como explica, é ofertado mensalmente em leilões oficiais. O produto que está sendo ofertado é da safra 1986/1987, que pertencia ao antigo Instituto Brasileiro do Café (IBC). A oferta dos leilões é de 150 a 200 mil/sc/mês.
Apesar da ''idade'', esses cafés são fundamentais nos blends, com cafés novíssimos, dando melhor sabor à bebida. ''O café tem a maravilhosa qualidade de manter a bebida e o tipo inalterados'', garante Bacceti. Cafés mais velhos, segundo ele, perdem apenas no volume, devido à desidratação dos grãos. ''É um café mais suave, com uma sensação envelhecida'', conceitua. Estes grãos quebram o sabor de ''folha verde'' comuns aos cafés da safra.
Sobre os atuais preços do café, Bacceti considera bons, ''a média é de US$ 100/saca''. Aí, entra aquela já cansada história da política cambial, que ''prejudica o preço no mercado interno'', salienta. Ele cita ainda o problema das especulações de fundo. ''As variações de mercado devem-se ao fato de o café, embora comercializado em bolsa, ainda não ser considerado uma commodity, e sofre com as alavancagens de negociações promovidas por espculadores''. (C.G.)

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