O cultivo de pêssego ainda é pequeno na região de Londrina: apenas 3 hectaresO interesse pela diversificação em pequenas áreas agrícolas como forma de viabilizá-las tem levado muitos produtores a optarem pelo plantio de frutas, uma atividade bastante promissora em termos econômicos, mas que também exige altos investimentos e deve ser adotada com cautela.
Na região de Londrina a Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (SMAA), junto com a Emater, Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e Cooperativas Integradas, formou um Grupo de Trabalho em Fruticultura e criou um Pólo Regional de Fruticultura, para difundir e estimular a atividade entre os produtores que buscam novas alternativas.
As mexericas cultivadas no Pólo de Fruticultura são as variedades satsuma, rio e montenegrinaPara atender a demanda por informações nesta área, Emater e SMAA promovem dois cursos sobre frutas, um no final deste mês e outro no começo de julho, aproveitando que esta é a melhor época para quem deseja fazer sua opção sobre qual frutífera plantar.
Plantas potenciaisEntre os estudos e levantamentos feitos na região, os técnicos identificaram três espécies que, favorecidas pelas condições climáticas, têm um bom potencial de desenvolvimento. São elas: banana, figo e caqui. Segundo o agrônomo da SMAA, César Abrahão, além dos aspectos de produção, é fundamental que o produtor tenha informações sobre o mercado. ‘‘Como irá comercilizar sua produção é um aspecto importante para toda atividade agrícola, mas com fruticultura a situação é mais delicada’’, destaca Abrahão.
A laranja e os limões têm sido a opção mais adotada na regiãoA Região Metropolitana de Londrina é um grande centro consumidor e a maioria das frutas consumidas são importadas de outros Estados. Mas só este dado não garante que qualquer espécie que o produtor plante terá um retorno garantido. ‘‘A concorrência é grande. Frutas até de outros países têm sido comercializadas na região. ‘‘Para o produtor se garantir é preciso competitividade e competência’’, diz o agrônomo Carlindo Bizzani, da Emater, um dos responsáveis pelos cursos e treinamentos de produtores nesta área.
TreinamentoOs dois cursos são dirigidos a grupos de 20 produtores que já estejam na atividade ou que pretendam iniciar. O primeiro curso, a ser realizado no dia 26 deste mês, será de Citricultura (laranja, poncã, limão e tangerinas). Com parte teórica e prática, os técnicos darão noções desde o plantio até a comercialização. O segundo curso, sobre Frutas Temperadas (pêssego, ameixa, figo e nectarina), será realizado no dia 3 de julho.
Segundo Carlindo, para quem vai começar é muito importante em primeiro lugar conhecer o mercado, para definir se vai produzir para comercializar in natura ou direto com indústria. A escolha da área a ser plantada e das variedades também é fundamental. ‘‘Uma planta sem problemas vai depender de uma muda sadia’’, destaca.
O caqui também é apontado como uma das frutíferas que podem ter uma bom desenvimento na regiãoOs cursos foram montados com base no interesse de muitos produtores que buscam informações nos escritórios da Emater na região. As demonstrações práticas serão realizadas no Pólo de Fruticultura de Londrina. Os produtores poderão conhecer algumas variedades, ver o espaçamento, observar práticas de podas, entre outras informações.
As diversas podas são necessárias, para aumentar a produtividade e a qualidade dos frutos. Carlindo cita, por exemplo a mexerica, que dá uma carga muito grande e é preciso fazer o desbaste para reduzir o número de frutos por planta, para aumentar o tamanho e a qualidade. ‘‘Este tipo de poda também evita a alternância de produção, ou seja, um ano dá muito, e no outro a produção é pequena’’, esclarece.
Frutas temperadasNo segundo curso, sobre frutas temperadas, o destaque será o figo, que tem condições de se desenvolver bem na região. A cultura de cultivo fácil, sem muitos problemas de pragas e doenças e pode dar uma boa rentabilidade com a comercialização in natura. A área cultivada hoje na região é insignificante. Apenas um hectare. O ciclo é de 3 anos, podendo iniciar uma pequena colheita com dois anos e meio, explica Carlindo.
A produtividade média do figo é de 15 toneladas por hectare, podendo chegar a 20 toneladas, se bem conduzido. O número de plantas por hectare é de 800. As mudas podem ser compradas ou retiradas das podas de frutificação. ‘‘Além dos bons preços da comercialização in natura, o figo tem bom mercado para indústria de doces, geléias e compotas.

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