Envolvidas com assuntos técnicos
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sexta-feira, 01 de agosto de 2003
Cláudia Barberato<br>Reportagem Local 
O primeiro encontro de mulheres rurais foi realizado em 1993, em Jandaia do Sul, reunindo 300 mulheres. A idéia foi da técnica da Emater Maria Isabel Henrique. O objetivo inicial, que ainda consegue ser cumprido, foi reunir as mulheres da zona rural para tratar de assuntos de interesse delas; muitas delas sem nenhum acesso às informações.
Este ano o 11º Encontro da Mulher Rural, realizado no último dia 24 em Apucarana, teve a presença de 550 mulheres. A extensionista Jandira Valmorbida, chefe do escritório da Emater de Apucarana, responsável pela organização do encontro desde o início, lembra que no começo o interesse era por temas relacionados à saúde, higiene e alimentação.
''Eram temas básicos, de bem estar, para melhoria da qualidade de vida das famílias rurais; muitas até desconheciam as técnicas elementares de saúde, nutrição e preparo de alimentos. Não havia interesse em discutir, por exemplo, o crédito rural, a previdência ou a cidadania'', afirma Jandira.
De lá para cá, embora muitas palestras com temas comportamentais, de motivação ou da área de saúde nunca saíssem da pauta, o interesse se voltou também por assuntos técnicos, acesso a crédito e novas atividades rurais.
''Muitas mulheres até resgataram sua auto-estima a partir da experiência de outras agricultoras que já desenvolvem atividades independentes nas propriedades da família.''
De acordo com a extensionista da Emater, as mulheres que têm participado dos encontros ao longo desses anos se enquadram na agricultura familiar, em pequenas propriedades em busca de diversificação, com idade média acima dos 40 anos. Elas estão interessadas não só em melhor qualidade de vida, mas em eficiência na atividade agrícola, conta a extensionista.
No encontro realizado este ano um dos temas sugeridos foi a linha do Pronaf de crédito rural, que pode auxiliar o custeio de novas atividades, desenvolvidas pela mulher, na propriedade rural. ''Elas procuram por alternativas que tragam ajuda no orçamento familiar e também independência financeira.''
Segundo a extensionista, muitas mulheres ''passaram a entender que o desenvolvimento rural não é possível sem a sua participação. A Emater sempre fez um esforço para envolver a família na atividade. Naquelas onde esta integração funciona os resultados têm sido compensadores.''
Segundo Jandira, das novas atividades desenvolvidas no campo, como o turismo rural, a agroindustrialização de alimentos, produção de flores, entre outras, 80% estão sendo administradas pelas mulheres ou pelo casal.
A Emater de Apucarana abrange 13 municípios da região. De acordo com Jandira os técnicos tem procurado orientar a diversificação nas propriedades e a participação da mulher nestes projetos.
''Só no município de Apucarana, por exemplo, são 1.600 famílias de agricultores familiares, onde se imagina que muitas mulheres teriam potencial de desenvolver atividades para gerar ou aumentar a renda da família,'' explica Jandira.
Outro trabalho tem sido na área da documentação profissional da mulher para fins de Previdência Social. Muitas mulheres trabalham durante anos na zona rural e na hora de requerer a aposentadoria não têm comprovação deste trabalho.
O projeto começou com a comunidade São Pedro do Taquara, em Apucarana, para atender a 45 agricultoras. ''Apesar da documentação pessoal em dia, apenas cinco delas tinham a documentação profissional,'' conta Jandira.
A orientação é para que os agricultores incluam o nome das esposas no Bloco de Notas do Agricultor ou façam contratos de parceria, o que já é suficiente para provar o trabalho feminino no campo. O mesmo vale para os filhos.
A Emater, garante Jandira, também procura desenvolver trabalhos de orientação da mulher que mora nas vilas rurais. Apucarana tem três vilas e mais uma deve ser inaugurada em breve. Em muitos casos, segundo a extencionista, o trabalho começa com orientações básicas de saúde, higiene e alimentação, para depois evoluir para alternativas de renda.


