Entressafra mantém mercado aquecido
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sábado, 08 de dezembro de 2007
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
Com altas que ultrapassam os 20% nos valores pagos aos produtores, a pecuária de corte está iniciando um novo ciclo no Paraná, situação que se repete em outros estados do País. A avaliação é de Adélio Borges, técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento (Seab). As médias mensais entre julho e outubro registram um aumento de 12%. Mas se a comparação for feita entre a média de julho (R$ 57,25) e a registrada na última segunda-feira, dia 3 (R$ 70,45), o aumento chega a 23%. A variação também é significativa no último mês: dia 3 de novembro a arroba custava R$ 66,82 e na última segunda-feira R$ 70,45.
Segundo o técnico do Deral, o mercado sofre os efeitos da sazonalidade. ''Estamos vivendo um hiato de oferta, porque 95% do gado confinado já foi abatido e não há disponível o gado engordado no pasto devido à estiagem'', explica. A pecuária também sente os reflexos da situação ocorrida há quatro anos, quando os produtores decidiram abater fêmeas em função da baixa rentabilidade do setor. ''Hoje o bezerro está caro e escasso'', afirma Borges.
Além da redução da oferta para engorda, o mercado também enfrenta os efeitos da diminuição do número de bois para o abate, desta vez consequência da decisão do pecuarista de segurar os animais para aguardar uma melhor relação de troca.
O mercado da pecuária deve mudar, de acordo com o consultor Fabiano Tito Rosa, de Bebedouro (SP). O pecuarista já não está mais descartando fêmeas, tendo em vista que os preços recebidos estão em ascensão, o que não vai regularizar a oferta. ''A reação dos preços incentiva o produtor a investir novamente na atividade, mas o resultado desse investimento ainda vai demorar a aparecer'', diz o consultor.
A reação da pecuária de corte teve início no primeiro semestre deste ano, quando houve redução de 10% no abate de matrizes, que contrariou a tendência do período. Dessa forma a escassez de oferta ainda vai continuar, o que, para o consultor, indica que os preços continuarão subindo.
O aumento da demanda, em função da melhoria de renda da população de classes baixas e o aquecimento do mercado externo, também interferiu no mercado, além da maior capacidade de abate instalada pela indústria.
Para o técnico do Deral Adélio Borges, o mercado agora vai sofrer os efeitos da entrada da primeira parcela do 13º e da chegada das festas de fim de ano. No varejo, os preços também estão em ascensão. ''Nos últimos 15 ou 20 dias, o preço da carne ao consumidor teve um aumento de 20%'', afirma.


