Uma saída para o setor ainda é a prorrogação das dívidas pelas instituições de crédito. ''Só assim o produtor conseguirá retomar o fôlego para plantar a safra seguinte'', declara Albers. Sem poder deixar a terra ociosa, os produtores terão de se atentar mais aos custos de produção e consequentemente reduzir gastos com tecnologia. ''O agricultor vai usar cada vez mais produtos genéricos e de segunda mão e se não tomar cuidado poderá comprometer seriamente a produtividade da lavoura'', alerta.
Para Albers, a liberação de recursos para estocagem a juros controlados também facilitaria, e muito, a vida do produtor. ''Assim ele poderia estocar o produto e aguardar por melhores preços para comercializá-lo'', sugere.
O produtor Osvaldo Aparecido Balestri, de Centenário do Sul, espera colher entre 100 e 130 sacas de soja/alqueire nesta safra e acredita que o câmbio desfavorável irá comprometer todo seu lucro. ''Devo colher o suficiente para empatar com o custo de produção'', calcula. Para ele, a redução do valor dos insumos foi insignificante em relação a 2004.
O agricultor Geraldo Lonardoni concorda. Ele cultiva 110 alqueires de soja e 18 alqueires de milho em parceria com os filhos em Rolândia. Desanimado, garante que está vivendo o pior momento de toda a sua vida. ''Em 30 anos fazendo negócios com o banco, nunca deixei de pagar uma conta. Hoje, preciso prorrogar as dívidas para colocar comida na mesa'', lamenta. (M.G.)

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